2.6.11

Mínima Enciclopédia - Émile Durkheim:

Sociólogo francês (1858-1917) autor da obra, “O Suicídio”, de 1897, publicada no Brasil pela Ed. Martins Fontes, é considerado fundamental para a consolidação da sociologia como ciência. Isso se deve principalmente a duas características de sua obra: o uso de métodos de observação empírica, como a estatística, por exemplo, e a ousadia de explicar como fato social extremo, ou seja, um fenômeno alheio à vontade do indivíduo, o ato das pessoas se matarem, o qual era atribuído ao livre arbítrio e a causas psicológicas.

Durkheim demonstra que a predisposição suicida varia segundo fatores como sexo, religião e até, estado civil. Porém o mais interessante e curioso da teoria de Durkheim é a classificação dos tipos de suicidas: O egoísta seria aquele sujeito solitário, desalentado, que “não vê mais sentido em viver”, com pouca integração social ou com fraca ligação aos valores compartilhados pelo grupo a qual pertence. Ao contrário, a opção do altruísta, não decorre do isolamento social ou grupal, mas com uma identificação tão completa que coloca em plano secundário sua existência pessoal, optando, quando for o caso, pelo seu sacrifício em nome das causas do seu grupo ou mesmo às pressões coletivas. Já o anômico, seria aquele sujeito carente normas, de leis ou de regras. Seria o indivíduo típico das sociedades em crise ou em transição. Na época de Durkheim, a sociedade industrial, hoje, a sociedade do consumo, das massas anônimas, carentes de valores morais, humanos. (Sobre anomia, ver quadro ao lado).

Anômico vem de anomia, ou seja, ausência de leis, de normas ou de regras de organização. Em sociologia – que é o que nos interessa – é a situação em que há divergência ou conflito entre normas sociais, tornando-se difícil para o indivíduo respeitá-las igualmente. Em neurologia – que não vem ao caso – é perda da capacidade de nomear os objetos.



1 comentários:

Carlo Buzzatti disse...

É isso aí, concordo com o francês com sobrenome alemão: botar sempre a culpa nas vítimas facilita demais as coisas para os criminosos.