20.12.10

Mínima Enciclopédia - Beat

Beat, geração Beat: “esta palavra designava uma nova voz da alma” – Segundo Gaspari. Beat era um termo de gíria do mundo dos drogados, e desde os anos 40 era usada para definir uma droga falsificada. Um ladrão e prostituto – sempre segundo Gaspari – que definia a expressão beat como “derrotado”, e a empregou em relação a um vagabundo, que veio a ser autor de um livro amado por outros drogados de classe média, de nome Jack Kerouac, que se tornou paradigma de toda uma geração, pois o via como um derrotado ou uma daquelas pessoas que viam sempre o mundo contra si. Não se sabe se pela posterior popularidade das drogas ou de um dos seus apologistas – o próprio Kerouac – um jornalista de São Francisco glosou a expressão beatnik – acoplando ao termo o sufixo do primeiro satélite artificial feito pelo homem, no caso o Sputnik, dos soviéticos.

Bem, sobre esses expoentes dos anos 60 e seguintes, vejamos o que podemos dizer sobre o fim de cada um deles: Jack Kerouac só é lembrado hoje como referência de uma época e por seus velhos e decadentes seguidores. Allen Ginsberg, ainda será lembrado porque era um poeta de talento. Aldous Huxley, anda um pouco desatualizado, Bush esteve aí criado um “Admirável mundo novo” que Huxley jamais ousou sonhar. Charles Wright Mills, alguma coisa de sua obra, baseada nos conceitos de Marx e Weber, por certo ficará. Herbert Marcuse, também anda meio esquecido, tinha talento como pensador de uma época, mas... Martin Luther King, não há dúvida, entrou para a História e será sempre uma referência mundial contra aquilo em que seus compatriotas brancos são mestres: discriminação e arrogância, entre tantas outras coisas. Frantz Fanon, este é o caso mais polêmico, quiçá, enganador. Negro, nascido em uma das possessões francesas do Caribe, Martinica, escreveu um livro que causou espécie, “Os Condenados da Terra”. Essa obra ajudou a indignar ainda mais a juventude de minha época. Anos mais tarde, soube-se que a CIA andara envolvida em sua publicação, não me lembro se chegaram a acusá-lo de agente da mesma ou se ele teria sido apenas manipulado, pois a CIA tinha tão-somente financiado a publicação da obra. Mistério que não nos interessa desvendar... Sabe-se, sim, que ele entrou no mais completo ostracismo. E por falar em ostracismo, Ângela Davis – que Gaspari esqueceu de citar –, um dos símbolos, perdão, ícones daquela época, andou muito tempo desaparecida, apareceu aqui na Bahia, mas o certo que o seu tempo passou.

2 comentários:

Anônimo disse...

O livro On The Road conta uma história empolgante, embora não seja um manual (como tantos manuais que escrevem por aí) ensinando como viver, como pensar, coisa e tal. Você parece tão pré-conceituoso com o uso de drogas, não devia beber tanto pra não se sentir derrotado. Acho patético o abuso de drogas, mas tenho que considerar que grandes obras surgiram através de suas inspirações (não é o caso do livro de Kerouc citado).

Anônimo disse...

Quem te disse que bebo tanto?
Questão de opinião, drogas e drogados, para mim, são uma merda.
Desconheço obras importantes saídas do que resta do cérebro de um drogado.
Araken Vaz Galvão