(Extrato do ensaio “Meu Cânone Pessoal”, escrito em Valença, BA, 11 de dezembro de 2011).
© Araken Vaz Galvão
Sertanejo, baiano, brasileiro, americano (no melhor sentido).
Revolucionário, hoje pelo exercício radical da cultura, por escrito e assinada.
A cultura floresce a partir de sua raiz, caso contrário é artificial, morta.
Mirtilo (Vaccinium myrtillus), planta silvestre da família das mirtáceas, de fruto comestível. Fruta azul escura muito pequena que serve para doces, geléias e licores. O Aurélio registra que “o extrato das folhas é considerado antidiabético” e diz que o nome veio do francês, myrtille. Entretanto, esta fruta é muito popular nos Estados Unidos, de onde creio que é originária, onde tem o nome de Blueberry (espero que o nome esteja escrito corretamente), sendo uma planta rasteira. É cultivado no Brasil
O mirtilo não deve ser confundido com o Cassis (Ribes Nigrum), de origem francesa ou, pelo menos, muito popular naquele país, também usada para se fazer licores, doces e geléias. O licor de Cassis francês é famoso e muito saboroso. No Brasil esta fruta é conhecida por groselha preta.
Perguntaram-me o que espero dessas palestras sobre meu trabalho em “Caparaó – a primeira guerrilha contra a ditadura”, e respondi que espero, apenas, corresponder aos anseios dos alunos secundaristas que ali estarão, em busca de subsídios para compreenderem melhor esse negócio de nossa Serra do Caparaó deixar de ser apenas uma referência geográfica para tornar-se uma referência histórica.
É a primeira vez que tenho essa oportunidade em minha própria terra. Normal. Antes, pude compartilhar, intensamente, a experiência de produzir o premiado “Caparaó” com públicos de intelectuais e universitários do Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Em Manhuaçu, tivemos uma seleta platéia numa faculdade local. No Espírito Santo, boas oportunidades com os alunos da Faculdade de Filosofia de Alegre (Fafia) e em Cachoeiro, ao lado de Boris Casoy, para os alunos de comunicação da São Camilo.
Nesses últimos dois anos, desde o lançamento do livro, nada me comoveu mais do que um público que tive em Alto Caparaó, MG, onde fui a convite da Prefeitura da cidade. Colocaram-me a falar de guerrilha do Caparaó para um “bando” de crianças de 11 e 12 anos. Gelei, confesso. Mas eles me surpreenderam pela curiosidade e logo fiquei à vontade. Foi meu melhor público, talvez. Sabe lá Deus que boas influências pude ter para aqueles pré-adolescentes.
Gosto da idéia de falar para estudantes secundaristas. Eles têm, hoje, uma realidade muito diferente de seus iguais de 40 anos atrás. Talvez lhes faltem ideais, razões pelas quais lutar. Talvez. Quem sabe não possa despertar-lhes, pelo menos, o desejo de escreverem um livro, como aconteceu comigo quando subi a serra do Caparaó pela primeira vez!!! Afinal, minhas palestras fazem parte de uma preparação para a excursão que eles farão à região.
Sabem de onde partiu a idéia??? De um professor de Geografia, sempre eles. Fico ainda mais feliz, porque é a área em que também me formei. Mas esse professor, Paulo Sérgio Zucolotto, tem uma história muito interessante. Era motorista da Rede Tribuna, quando eu lá estive também, em minha última passagem pelas redações. Paulo estudou Geografia na Ufes e hoje brilha nas salas de aula do Darwin. Ele “vendeu”, e bem, a idéia e, felizmente, o Darwin a “comprou”. Boa!!!
Tomara que possamos, a partir de agora, levar mais o “Caparaó”, por inteiro, para as salas de aula. E recuperar o tempo perdido. Que essa meninada, e seus pais, entendam o que houve ali e não pré-julguem os que ousaram lutar, mas entendam que cada um de nós precisa encontrar sua própria missão de vida. E cumpri-la.
José Caldas da Costa é jornalista, escritor, licenciado em Geografia. Autor de “Caparaó – a primeira guerrilha contra a ditadura”, livro que ganhou, em 2007, o Prêmio Vladimir Herzog e, em 2008, foi finalista do Prêmio Jabuti.
José Caldas publica no blog O Patim, de onde retiramos este texto.