6.1.13

O Mensalão e o Legacy

Tinha escrito uma boa cota – boa no sentido da minha pouca resistência até para fazer o que mais gosto: escrever –, quando para arejar a cabeça, como diz o vulgo, fui sentar-me na sala de TV, da minha casa, quando, desejando proceder de forma estúpida, liguei o aparelho que Stanislaw Ponte Preta chamou de máquina de fazer doido, mas que evoluiu muito daquela época a esta fase, tornando-se máquina de fazer asnos.
Ali estando, frente ao mágico aparelho, deparei-me com a notícia sobre o final (ou quase, já processo da justiça costumam demorar décadas) do julgamento do processo do Legacy, o avião que causou um dos maiores desastres da história da aviação brasileira, cujo desfecho, em primeira instância, resultara na condenação dos dois pilotos dos Estados Unidos – os principais responsáveis pelo acidente – em penas de um pouco mais de quatro anos de prisão, com a proibição daqueles pilotos (eram dois) de exercerem o ofício de pilotar aviões, em particular sobre o espaço aéreo brasileiro.
Farto de tanto ouvir a chamada grande imprensa cantar loas a atitude da maioria dos membros do Supremo Tribunal Federal pelo rigor com que aquela egrégia Corte estava zelando pela aplicação (quiçá draconiana) da Lei – ao ponto de estar sendo dito que estão refundando a República –, em um caso bastante corriqueiro, diga-se por agregar algo, não só entre os políticos do Brasil, como os de todo o mundo: venda de votos, tráfico de influência e de favores, recebimento de cargos públicos como benesses pessoais e outras maracutaias. Ou seja, aplicava a Lei com rigor como se aquele fosse um caso excepcional.
Qual não foi a minha surpresa ao ouvir que os desembargadores – o que significa que o caso foi julgado em segunda instância –, não só reduziram as condenações dos dois pilotos estadunidenses, como revogaram a proibição de eles pilotarem.
Sem maiores indagações sobre as razões de tal reviravolta do processo, começou a intrigar-me vários fatos: O silêncio total da mesma chamada grande imprensa; o súbito emudecimento das redes sociais – em particular as do sudoeste do país –, tão ciosas em levantar seus brados indignados contra pobres e nordestinos, ou contra todos aquele que não são da panelinha ou mesmo contra determinados políticos que não fazem parte da elite dominante, que se julga ter 400 anos ou mais, cujo nome em inglês – idioma que aqueles tuiteiros e afins gostam de usar –, se não me engano, é offside
Foi então que me lembrei de uma máxima de George Orwell que, mesmo reconhecendo que a lei é igual para todos ou que todos são iguais perante a lei, afirma, porém, que existem alguns que são mais iguais que outros.
  Só pude concluir que sendo aqueles pilotos, os que foram considerados os principais responsáveis pelo desastre, com o avião da GOL, que ocasionaram a morte de 155 passageiros, por serem pessoas de olhos verdes (ou azuis), serem loiros, falarem inglês e, principalmente, serem cidadãos dos Estados Unidos só podia ser mais iguais do que “essa gente bronzeada”, cuja parcela expressiva de membros não tem nenhum valor ou amor próprio – mas tem amor ao Estados Unidos. Em outras palavras, não tem vergonha na cara.

12.11.12

                             O Mensalão e as Redes Sociais


Farto de tanto ouvir a chamada grande imprensa cantar loas a atitude da maioria dos membros do Supremo Tribunal Federal pelo rigor com que aquela egrégia Corte estava zelando pela aplicação rígida da Lei – a ponto de estar sendo dito que estão refundando a República –, em um caso bastante corriqueiro, diga-se por agregar algo, não só entre os políticos do Brasil, como os de todo o mundo: venda de votos, tráfico de influência e de favores, recebimento de cargos públicos como benesses pessoais e outras maracutaias. Comecei a pensar que, finalmente, a justiça brasileira começava a não só tornar-se célere, como a ser equânime.
Qual não foi a minha surpresa ao ouvir que os desembargadores de Justiça Federal, ao que parece, de Brasília – o que significa que o caso foi julgado em segunda instância –, não só reduziram as condenações dos dois estadunidenses, como revogaram a proibição de eles pilotarem avião, inclusive no Brasil. Concedendo-lhes, ademais, o direito a prisão domiciliar, a qual – como não pode deixar de ser – será cumprida e fiscalizada pelas autoridades dos Estados Unidos.
Sem maiores indagações sobre as razões de tal reviravolta do processo, começaram a intrigar-me vários fatos: O silêncio total da mesma chamada grande imprensa; o súbito emudecimento de determinados jovens das redes sociais, que se julgam donos da verdade – em particular os do sudoeste do país –, tão ciosos em levantar seus brados indignados contra pobres e nordestinos, ou contra todos aqueles que não fazem da panelinha ou fazem campanha contra determinados políticos que não são parte integrante da elite dominante, que são classificados (Como, mesmo?) com o nome em inglês – no idioma que aqueles tuiteiros e afins gostam de usar –, que, se não me engano, é offside. Perplexo e espantado, lembrei-me também de um piloto dos Estados Unidos fotografado “mostrando o dedo em riste”, em um gesto de óbvia provocação, bem ao gosto dos ianques, por ter sido obrigado, em um procedimento de reciprocidade, a também tirar uma foto ao desembarcar em nosso território, cumprindo semelhante exigência que eles tinham adotado em seus aeroportos, lá na terra deles. Em fim, fatos passados que os tuiteiros fascistoides, e amantes dos Estados Unidos, nunca se lembram.  
Foi então que pensei em uma máxima de George Orwell a qual constata, mesmo reconhecendo que a lei é igual para todos ou que todos são iguais perante a lei, faz, porém, a ressalva, que existem alguns que são mais iguais que outros.
  Só pude concluir que, sendo aqueles pilotos, considerados os principais responsáveis pelo desastre com o avião da GOL, que ocasionou a morte de 155 passageiros, pessoas portadoras de olhos verdes (ou azuis), possivelmente loiros, falantes do idioma inglês e, em particular, cidadãos dos Estados Unidos, só podiam ser mais iguais do que “essa gente bronzeada” da pátria verde e amarela, cuja parcela expressiva de membros não tem nenhum valor ou amor próprio – mas, por seu turno, reverenciarem aos Estados Unidos. Em outras palavras, não tem vergonha na cara ou sofre de complexo de vira-lata.
Não tinha ainda digerido completamente a realidade consensual de que há uma justiça para os membros da Casa Grande (e para seus imperiais senhores) e outra para os cidadãos (de segunda classe) da Senzala ou mesmo dos seus aparentados, quando fui surpreendido com a absolvição do famoso (e muito rico) publicitário. Esse no chamado processo do Mensalão.
Nada a declarar. Se o Rio de Janeiro continua lindo – com a vênia de Gilberto Gil – a justiça brasileira continua igual. Enquanto isso, os “indignados que batem palmas” e os tuiteiros, do tipo a uma bela atriz da TV, continuam os mesmo estúpidos de sempre, achando que, realmente, a republica está sendo refundada. Só que este verbo, da forma como o estão empregando, pode até ser sintomático, pois ele não significa recriar, mas “tornar mais fundo; afundar, profundar, aprofundar.” O que pode indicar que vamos para o fundo... Do poço. Amém.
₢ Araken Vaz Galvão

19.9.12

De volta

Em minha mais remota juventude – remota no sentido real do termo – conhecia uma música, das muitas que conheço a letra, cantada, se não me engano, por Carmem Miranda, cujos autores eram Vicente Paiva e Luiz Peixoto, se não me falta a memória, que, nos versos iniciais, dizia: “Voltei pro morro/ Quero ver o meu cachorro/ Meu cachorro vira-lata, minha cuíca, meu ganzá”. Desafinado e melancólico (como diria Drummond), além de não cantar, para não o fazer de forma grotesca, e não sendo afeiçoado a cachorros – nem aqueles considerados “nobres” –, tampouco por não ter intimidade com cuícas – instrumento (cuja origem é atribuída aos africanos, existindo, porém, quem afirme que é indiana) que acho possuidor de um som belíssimo –, nem com ganzás (o qual, por sua vez, teria vindo dos nossos índios, tendo sua origem no maracá e no pau de chuva, embora alguns lhe atribua origem africana), mesmo reafirmando minha volta, ao chegar a Valença, terminei por optar por evocar não mais a música de Vicente Paiva e Luiz Peixoto, mas outra, bem mais recente, de Dominguinhos e Nando Cordel, que Elba Ramalho cantou, cuja letra, bem mais romântica, diz: “Estou de volta pro meu aconchego/ Trazendo na mala bastante saudade/ Querendo/ Um sorriso sincero, um abraço,/ Para aliviar meu cansaço/ E toda essa minha vontade/ Que bom, / Poder tá contigo de novo...”
Contentar-me-ei em parar por aqui, já que os versos de Nando do Cordel são claramente de cunho amoroso, no caso de relação entre uma mulher e um homem, cujo sentido desejo alterar, não só para não gerar (nestas épocas de tantas opções sexuais heterodoxas) confusão, mas para dar-lhe um sentido claro de amor fraterno entre pessoas, uma vez que o meu aconchego, no sentido que estou pensando, é a cidade onde moro, Valença BA, e a essas visitas esporádicas neste blog.
Assim sendo, é natural que traga muitas saudades, não só da cidade em si, mas dos amigos que possuo em ambas, cidade e mundo virtual. Claro que da parte daqueles que me são mais íntimos, espero mesmo “um sorriso sincero, um abraço” e – por que não? – um singelo “seja bem-vindo”. Porque gestos assim significam um alívio ao cansaço do corpo, ocasionado pelo efeito da radioterapia, como também por funcionar como um bálsamo para aliviar a fadiga d’alma. Resultando, pois, em mais forças para ver-me livre de toda essa vontade de trabalhar pela cultura. Dessa forma, só posso usar da letra da segunda canção para dizer: que bom poder estar com vocês de novo.
Araken Vaz Galvão

10.6.12

Aviso

Este blog (que nunca primou em ser dinâmico, ou seja, sempre demora de mudar matéria) ficara uns dois meses mais sem mudá-la, pois estarei fazendo tratamento de radiologia, devido a um câncer.
Obrigado a todos os que me acompanham, sei que são pouco, mas são fieis.
Araken Vaz Galvão

21.3.12

Mínima Enciclopédia - Lunar

Lunar, cujo plural é lunares, embora seja uma palavra derivada de Lua, entre nós é mais usada – quando o é – relativo ao ano lunar, existente na China e em outros países da Ásia. Sendo ainda usada em forma poética, como o fez Manuel Bandeira: “Veste o quimão de cambraia,/ Mostra-te ao fulgor do lunar” (Estrela da Vida Inteira, pág. 26, segundo o Aurélio). Ou em “a vossa palidez romântica e lunar!” (Cesário Verde, Obra completa, pág. 102, segundo a mesma fonte), pode aparecer ainda, mas de forma não muito frequente, isto é, em casos mais, em casos menos, relacionada com ciclo, cratera, disco, eclipse, equação, espaço, libração, mês, nutação e sonda. Sempre usando o Aurélio como guia, pode ser usada ligada a uma superstição vida da Idade Média, no caso, a um “sinal congênito na pele, atribuído ao influxo lunar”. Entre nós, brasileiros, usa-se mais a palavra pinta ou sinal. Daquela forma é muito empregada, em espanhol, como se pode ver na letra da canção do folclore mexicano, “Cielito Lindo“, música que foi vertida e assimilada no Brasil como “Está Chegando a Hora” – que muitos pensam ser música brasileira. Encontrei-o, com o significado de pinta, pela primeira vez, em um texto de prosa (e não em poemas) na tradução que Herbert Caro fez da obra de Thomas Mann, “A Montanha Mágica“, Nova Fronteira, Rio, RJ., 1980, pág. 61.

E já que falei em uma palavra pouco usada, sem nenhum pretensão, além de a ter visto pela primeira vez e, por isso, consultado ao dicionário, vejamos o que significa “quimão”, usado por Bandeira: O mesmo que quimono. Libração: Entre outras coisas, o mesmo que o “Ato ou efeito de librar(-se)” ou a “Oscilação regular de um corpo até equilibrar-se”. Nutação, também entre outras coisas: “Vacilação; oscilação”. Ou ainda, em astronomia, “Oscilação do eixo da Terra que faz os pólos descreverem uma pequena elipse em cerca de 19 anos”.

24.1.12

Mínima Enciclopédia - Das Leituras que Fiz...

Das lembranças das leituras que fiz, ao longo de minha vida de 75 anos ficaram-me a certeza – imagino hoje – de que literatura não é malabarismo de estilo ou truques de prestidigitação verbal, tampouco o é o resultado de maneirismo de linguagem. Uma obra-prima pode até, bem dosado, conter esses elementos, mas se não houver uma história a ser contada de forma ardilosa, com muita imaginação, fantasia e lirismo, não proporciona deleite estético. Pelo menos não o proporciona a este rústico leitor sertanejo. Os gregos sabiam – souberam com anterioridade – dessa verdade insofismável, por essa razão nos proporcionaram obras antológicas, ou seja, inesquecíveis, pela simplicidade de suas narrativas além da fertilidade da imaginação dos seus mestres. Ouso até a afirmar – suprema heresia, para muitos – que autores como James Joyce (1882-1941), Marcel Proust (1871-1922), José Lezama Lima, José Donoso, e até William Faulkner, por exemplo, entre tantos outros – para citar apenas alguns gênios do século XX –, não escreveram literatura, no sentido de contar uma história – o que se espera de um romance (pelo menos assim espera um leitor do sertão criado a base de mandacaru e cordel) –, mas belos ensaios com esplêndidos estilos literários.

Claro que falar hoje de obras clássicas, ou seja, de suas traduções – única forma de nós, simples mortais, não-eruditos poliglotas, termos intimidade com elas – é muito perigoso, pode encerrar terríveis arapucas. Que distância há entre os livros da Bíblia no seu original em aramaico e as versões que conhecemos. Refiro-me a esses livros como obras literárias, e não como fonte de religiosidade e, até, de fanatismo. O mesmo é válido para os chamados clássicos – os gregos, os romanos, "As Mil e uma Noites", "Os Vedas", por exemplo –, obras escritas a milhares de anos e em idiomas mortos ou em fase de desaparecimento. Resulta, porém, que foram escritos sem rebuscamentos frívolos (se é que tudo rebuscado não o é) – ou seja, considerando o termo rebuscar como esmero em excesso –, mas narrado de modo acessível ao homem comum, medianamente alfabetizado, mas preocupado com beleza literária. Por isso essas obras são imorredouras.

Aliás, ao comparar um clássico com uma obra tida como o ápice da expressão literária desses tempos modernos (ou pós-modernos), vem-me a mente uma comparação, quiçá, canhestra. Entre essas obras há a mesma distância existente entre a masturbação e o coito. Posto que um ato de onanismo e um coito proporcionam prazer, porém quem já os praticou sabe que há uma fundamental diferença entre ambos. Daí poder dizer – eu, por exemplo, digo – que um monumento literário moderno ou pós-moderno pode até oferecer algum prazer estético, pode. No entanto, por sua obediência aos padrões rígidos da concisão, ao malabarismo de estilo ou aos truques de prestidigitação verbal, e ao maneirismo de linguagem, mas por nos tolher do deleite de viver uma situação onírica; por privar-nos do gozo da fantasia e das delícias da viagem que só a imaginação nos permite, levam-me a concluir que, da mesma forma com que nada substitui a vagina (pelo menos essa é a opinião de um heterossexual convicto) na arte de ofertar prazer físico aos homens (o inverso, tendo-se em conta a diferença de gênero, em relação às mulheres, também é válido); nada pode substituir a fantasia, a imaginação, o sonho e a magia para nos elevar as alturas do prazer estético.

(Extrato do ensaio “Meu Cânone Pessoal”, escrito em Valença, BA, 11 de dezembro de 2011).

© Araken Vaz Galvão

22.12.11

Mínima Enciclopédia - Amador Bueno da Ribeira (1584-1649)

“Em 1580 – lembro-me perfeitamente da aula de História, na Escola Castro Alves, no bairro da Casca da Bahia, em Jaguaquara, isso nos anos 50 – o Brasil passou a ser governado pelo rei da Espanha – dizia a professora Joseilsa e eu decorei essa parte da lição –, e isos durou até 1640. Como era colônia de Portugal, o Brasil ficou sujeito ao domínio da Espanha durante 60 anos.” Essa era a intrudução à narrativa de um episódio ocorrido em São Paulo, no ano seguinte, isto é, em 1641, em que, um grupo de ricos fazendeiros, bandeirantes e, como todos eles, escravizadores de índios chamados na época de peadores, os quais, durante o período da União Ibérica – como se designou a absorção da coroa portuguesa pela espanhola (graças a uma estúpida bravata de Dom Sebastião) –, haviam acumulado grandes fortunas, graças ao comércio com a região do rio da Prata – hoje Uruguai, Argentina e Paraguai –, em uma espécie de contrabando legal, já que as duas regiões, mesmo nominalmente pertencendo a países diferentes, obedeciam a mesma coroa.

Resulta que os constantes choques com os jesuítas, que controlavam os chamados Sete Povos das Missões, onde os índios estavam reunidos, catequisados, ao modo do Inacianos, formando ricas vilas, não só auto-suficiente, como produtora de uma variada gama de utilidades e alimentos, que eram exportados. Esse índios, já completamente aculturados, eram valiosa mão-de-obra que os paulistas, assaltando aquelas Missões, aprisionavam para vender como escravos em vários pontos da colônia e até na região nominalmente espanhola.

A ruptura da União Ibérica causou grande apreensão aos bravos bandeirantes – chamados na época apenas de “paulistas” – porque temiam que os seus lucrativos negócios de venda de escravos pudessem ser prejudicado.

Daí que, ainda em 1641, houve uma sublevação popular, porém sem violencia, apenas com muito tumulto, barulho e um pouco de desordem, visando oficialmente, segunda a historiografia, a aclamação de Amador Bueno, como rei, em um episódio que, mesmo sem grandes repercussão em nossa história, ficou registrado como a Aclamação de Amador Bueno ou Revolta de Amador Bueno. Sublevação essa que hoje, orgulhosamente, lá nas terras da garoa classifica-na “[...] como um movimento nativista (ocorrido) em São Paulo (tendo sido) a primeira manifestação de caráter nativista da Colônia”.

Uma das providências do novo governo instalado em Portugal, foi proibir a escravização dos indios. Não fizeram, porém, por razões humanitárias, mas por que tráfico negreiro, monopólio da coroa portuguesa, era muito rentável, não ficando esse dinheiro em mãos dos paulista, como ficara durante a União-Ibérica.

A solução encontrada foi a Aclamação de Amador Bueno como rei de uma nova nação. No entanto, Amador Bueno, cognominado O Sevilhando, por ter nascido em Sevilha – que era também, além do mais rico habitante do lugar, capitão-mor e ouvidor, irmão de bandeirantes”, conhecendo, pois o poder das armas de Portugal, recusou a ‘oferta’ e jurou fidelidade ao novo rei português. Ocorrendo dessa proclamação de um rei que não queria ser rei, um fato risível, o povo gritando nas ruas “Viva Amador Bueno, nosso rei”; ao que Amador Bueno, correndo da turba exaltada e temendo pelo seu pescoço, gritava: Viva Dom João IV, nosso rei.”

Dias depois, os ánimos se acalmaram e os paulistas também juraram fidelidade ao novo rei de Portugal.

12.11.11

Mínima Enciclopédia - Gabriel García Márquez

Gabriel García Márquez, nascido na localidade de Aracataca, 6 de março de 1928, é escritor, jornalista, editor, ativista e político colombiano. Conhecido em todo o mundo (que lê), recebeu o prêmio Nobel de Literatura de 1982 – não que isso signifique muita coisa, salvo uma maior projeção publicitária internacional, uma vez que este prêmio anda muito desmoralizado, devido a evidente interferência de fatores políticos em sua outorga. García Márquez é considerado o principal nome da forma estético-literária da literatura latino-americana, conhecida, por estudiosos, como realismo mágico, mas que o grande público leitor chama mesmo de realismo fantástico, classificação que não é aceita pela academia.

Em 1 de abril de 2009 declarou que se aposentava e que não pretendia escrever mais livros. O que foi, indubitavelmente, uma decisão digna, já que é muito triste ler os “livros do ocaso” escritos por um gênio envelhecido. Sobre ele, o caminho que buscou para sua literatura, conta-se que na juventude ouvindo contos das “Mil e Uma Noites” teriam sido suas primeiras “lições de fantástico”. Dizem também que ao ler “A Metamorfose”, de Franz Kafka e ter se deparado com, aquele início: “Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso”, teria concluído: “então eu posso fazer isso com as personagens? Criar situações impossíveis?” (Informação retirada da Wikepédia). Ainda sobre esse gênio da literatura latino-americana e mundial, a professora emérita da UFRJ, Bella Jozef, disse (sem citar a fonte) que ao terminar a leitura de “O século das Luzes”, de Alejo Carpentier, Gabriel García Márquez teria rasgado várias páginas de “Cem anos de solidão”, pois tinha “encontrado o livro que gostaria de ter escrito”.

Autor de uma obra vasta, em sua bibliografia estão títulos como o romance “La Hojarasca” publicado em 1955. No Brasil recebeu o título de “O enterro do diabo: A revoada”. Seguidos de: Memória dos prazeres; Relato de um náufrago; A sesta de terça-feira; Ninguém escreve ao coronel; Os funerais da mamãe grande; Má hora: o veneno da madrugada. Aparece então os “Cem anos de solidão (1967)”, mudando sua vida e o rumo da literatura latino-americana. A seguir vem: A última viagem do navio fantasma; Entre amigos; A incrível e triste história de Cândida Erêndira e sua avó desalmada; Um senhor muito velho com umas asas enormes; Olhos de cão azul; O outono do Patriarca; Como contar um conto; Crônica de uma morte anunciada; Textos do caribe; Cheiro de goiaba; O verão feliz da senhora Forbes; O Amor nos tempos de cólera; A aventura de Miguel Littín Clandestino no Chile; O general em seu labirinto; Doze contos peregrinos; Do amor e outros demônios; Notícia de um sequestro. Seguem textos jornalísticos a biográficos, como: Viver para contar, sua autobiografia. Seu último romance: Memória de minhas putas tristes, além de ter vários livros de crônicas.

De sua obra, além de “Cem anos de Solidão”, destaco, “Relato de um náufrago”; “O Amor nos tempos de cólera”. Os contos, “Um senhor muito velho com umas asas enormes” – um primor irônico do realismo mágico – e “O rastro do teu sangue na neve” – um dos melhores contos que já li. Em informação retirada da Wikepédia, é dito (sem informar a fonte) que García Márquez teria apontado como o seu mestre o escritor estadunidense William Faulkner. O que não deixa de ser surpreendente, uma vez que Faulkner – indubitavelmente um grande romancista – possuía um texto seco, desprovido de humor e ternura, imune a poesia, características que sobravam em García Márquez.

© Araken Vaz Galvão

19.9.11

Mínima Enciclopédia - T. S. Eliot (1888-1965):

Dramaturgo, ensaísta e poeta inglês, nascido nos Estados Unidos, adorado por determinados intelectuais brasileiros da geração de Paulo Francis, Paulo Mendes Campos e caterva. Ti Si Eliot – como eles faziam questão de chamá-lo, ou seja, Thomas Stearns Eliot, recebeu o Prêmio Nobel de 1948, por “sua obra representar uma profunda renovação na literatura do século XX”, uma vez que nela estavam sintetizados vários elementos que viriam a influenciar todos os povos cuja cultura sofria o baque da cultura de língua inglesa, como a nossa. Há quem afirme que a pompa vitoriana teria sido sacudida em suas bases por obras de autores como ele, W. B. Yeats, James Joyce e Aldous Huxley, os quais teriam lançado os alicerces da moderna literatura inglesa. T S Eliot “nasceu em St. Louis, Missouri, Estados Unidos, em 26 de setembro de 1888. Membro de uma família puritana de origem britânica, recebeu esmerada educação, que começou em seu país e logo se orientou para a cultura européia, com a qual travaria contato direto a partir de 1910, ano em que viajou à França”. Sua obra, segundo os estudiosos, pode ser vista e dividida em três etapas: “uma crítica geral à cultura da época; uma crítica voltada para o passado histórico da Europa e uma visão religiosa da existência”. T. S. Eliot morreu em Londres, em 4 de janeiro de 1965. Grande parte de suas viúves intelectuais estão/ficaram no Brasil, entre parte de uma juventude do pós-II guerra, que se impressionaram com os Estados Unidos, confundindo pujança econômica com grandeza cultural.

23.8.11

Mínima Enciclopédia - Carl von Clausewitz (1780-1831)

Militar e pensador prussiano, cujas idéias influenciaram as modernas concepções sobre guerra e estratégia. Tornou-se um lugar-comum sintetizar o pensamento de Clausewitz com sua máxima mais famosa: “A guerra é a continuação da política por outros meios”. Entretanto, seu pensamento sobre a arte da guerra baseou-se na abordagem crítica dos problemas relacionados à estratégia, a qual ele aconselhava que as forças inimigas fossem analisadas sobre os prismas dos seus recursos e sua vontade de lutar, determinando, assim, os fatores que levariam a uma vitória militar. Tais premissas buscavam apoio nas experiências guerreiras de Frederico o Grande e Napoleão. Essas análises e conclusões estão inseridas no seu tratado “Da Guerra”, de 1832, época em que Clausewitz ocupou o cargo de diretor da Escola de Guerra, da Prússia. Nascido em 1 de junho de 1780 em Burg, perto da cidade prussiana de Magdeburgo, Clausewitz, cujo nome completo era Carl Philipp Gottlieb von Clausewitz, morreu em 16 de novembro de 1831 na cidade prussiana de Breslau, mais tarde Wroclaw, na Polônia. Seu pensamento ainda continua atual e útil à arte de matar legalmente.

É preciso não esquecer, porém, que “a vontade de lutar” de um povo, mais do que seus recursos materiais, são a causa principal de se vencer uma guerra – refiro-me às guerras justas, isto é, àquelas resultantes da agressão praticada por um povo mais forte contra uma nação mais fraca (como ocorreu no Vietnã) – coisa que temo estar sendo negligenciada no Brasil em relação aos Estados Unidos. Pois chego a pensar que se eles resolverem entrar na Amazônia ou tentar abocanhar a riqueza do pré-sal, serão recebidos com flores por muita gente, não só da classe dominante, mas também da classe média e quejando.

25.7.11

Miriam não Gostou

Quando Miriam não gosta de algo, preocupo-me, porque Miriam é uma pessoa admirável sobre todos os ângulos, desde que se entenda esse “todos os ângulos” como apenas atividade literária, já que não conheço outros ângulos de sua vida, tampouco preciso, posto que ser escritora, além de exigir coragem e entrega, já denota valor, valentia bravura e sensibilidade.

Mas, o que Miriam não gostou? Li, em um dos seus blogues – dos muitos que ela mantém, já que é uma franca adepta dessa forma de comunicação – em um bom texto, como lhe é peculiar, certa decepção pelo conteúdo do seminário “Literatura baiana: rumos e perspectivas” (do qual fiz parte em uma das mesas, a primeira), soberba iniciativa levada a cabo por Carlos Sousa – o incentivador da criação do Núcleo Bahia da União Brasileira de Escritores, cuja sede central fica em São Paulo.

Antes de me estender mais um pouco sobre aquele seminário, quero parabenizar ao companheiro Carlos Sousa (e também a Roberto Leal, seu fiel escudeiro), pela iniciativa do Evento, efetuado sábado, no Teatro Eva Herz, da Livraria Cultura, antecipando as homenagens ao Dia Nacional do Escritor, que se comemorará, hoje, 25 de Julho.

Feita essa introdução, passarei a dizer por que gostei, sem especificamente me referir ao que (nem por que) Miriam Sales não gostou, uma vez que sua opinião poderá ser conferida em seu blog. E minha primeira afirmação é que não esperava que aquele evento solucionasse os crônicos problemas do escritor (baianos, em particular), mas apenas registrasse, de forma festiva, o nosso Dia, ainda que tão-somente, que fosse para dizer: NÓS, escritores, EXISTIMOS! Que ninguém fosse (ou vá) sonhar com nosso desaparecimento, porque – como fênix – nos estamos sempre a renascer de nossas próprias cinzas ou das cinzas dos nossos livros, quando queimadas pela intolerância.

Por outro lado, colocações como as de Ruy Espinheira, de Aurélio Schommer, por exemplo, além dos informes de Aramis Ribeiro da Costa, de Roberto Leal e de Ubiratan Castro (também, por exemplo) foram de grande importância.

De importância particular também, foi a presença e a exposição de Joaquim Maria Botelho, presidente nacional da União Brasileira de Escritores, que nos falou do próximo V Congresso Brasileiro de Escritores, a realizar-se na cidade de Ribeirão Preto, SP, em início de novembro. E se alguma informação não foi dada pelo palestrante, ficaram os contatos eletrônicos, onde poderemos, todos, encontrá-las em ocasião propícia.

E se tudo isso não fosse gratificante, o congraçamento entre os presentes, novas pessoas que conhecemos, algumas até “exóticas” –, pelo menos ao olhar de um velho conservador como eu – que fizeram colocações próximas ao insólito, mostraram que a diversidade humana, entre escritores, existe e é benéfica.

Sempre com vistas a que minhas opiniões são de um velho de outras épocas, situaria a palestrante Adelice Sousa, com sua mística exposição sobre o ar, o fogo, a água, entra as que me deixou intrigado. Da mesma forma que me intrigou a poetisa Varenka de Fátima Araújo, que teve a gentileza de ofertar-me, extra-reunião (já que o fez do lado de fora, no café), o seu livro, “Ela em Versos”, aonde vim a encontrar uma poesia, às vezes ingênua, às vezes visceral, fato que também me intrigou sobremaneira.



© Araken Vaz Galvão

9.7.11

Mínima Enciclopédia - Soteropolitano

Baiano de nascimento e coração – até um pouco fanático, ainda que fanatismo seja perigoso, mas no bom sentido ou como força de expressão, imagino que, tudo bem – sempre tive curiosidade em saber por que aqueles nascidos na cidade do Salvador são chamados de soteropolitanos, mas, inexplicavelmente, um preguiça macunaímica – se me permitem o canhestro neologismo – impediam-mo.

Talvez a preguiça tivesse seu epicentro no diabinho que todos temos (acho!) no inconsciente, que estava sempre a dizer-me: Não tens nada com isso. Nasceste em Jequié. És, pois, jequieense. Mas eu sabia que essa era uma informação errada ou equívoca. Nascera, em 1936, no município de Jequié, era verdade. Como também era verdade que aquele meu nascimento dera-se no então distrito de Aiquara, mais precisamente na fazenda Santa Maria, que ficava situada próxima ao povoado de Pulga do Campo. Se toda essa complicação para se saber onde um cidadão brasileiro/baiano nascera fosse pouco, Aiquara emancipara-se durante a ditadura, época em que criava-se municípios – exclusivamente para dar mando a apadrinhados – cujo destino era viver de uma única arrecadação: aquela que vinha de um fundo federal criado para sustentar municípios que não se sustentavam. No caso, nas próprias pernas.

Em busca do lugar onde nasci, estive em Aiquara, o lugar continuava praticamente a mesmo de quando eu tinha dez, doze anos. Não mudara nada. Pacata, população escassa de boa gente trabalhadora. O mais era marasmo e silêncio.

Na época daquela visita, já sabia o significado da palavra Aiquara: Vinha do tupi – como sói ocorrer com muitos logradouros brasileiros – AI, que significava preguiça(1), o animal; QUARA, significava buraco, morada, o refúgio da preguiça. Macunaíma poderia ter nascido lá.

Quanto a Jequié(2), que eu também já sabia o significado, cuja forma correta, em tupi, seria Tikí-é, significava “o covo(3) de forma diversa, podia ser ainda uma palavra da língua dos Camacãs (que não eram tupis), Yaquié, para exprimir onça, cachorro”, isto na concepção de Sampaio. Já Falcão afirma que a palavra se formou pela junção de Jequi (covo) mais eé (arrastar), significando “covo de arrasto” (armadilha de arrasto?) ou “rio do covo”. Podendo ser ainda, como segunda opção, “covo diferente, que não é como os demais”.

Tudo isso é dito em uma tentativa de explicar minha resistência em averiguar o significado de soteropolitano, uma vez que era oficialmente jequieense, embora a fazenda onde nascera ficasse no distrito de Aiquara, próxima ao povoado de Pulga do Campo, o que me fazia um cidadão pulgacampense (ou algo similar), mais precisamente nascido em um município que não existia no ano em que nascera. O pior de tudo era que também o minúsculo povoado de Pulga do Campo tampouco existia. Já estava pensando que era um cidadão fantasma – temendo que a terrível, e temível, (com os mais pobres) Receita Federal, descobrisse essa situação e visse nela dolosas intenções minhas.

Estava vivendo esse crucial dilema, participando de uma reunião da Secção Baiana da União Brasileira dos Escritores (UBE/BA), quando conheci a brilhante escritora patrícia, Miriam de Sales. Uma mulher muito simpática, que fala pelos cotovelos, porém não cansa porque fala bem e sabe o que fala e do que fala. Ouvia-a, hipnotizado, como de resto toda a plateia, quando ela disse que sabia o significado de soteropolitano.

Na ocasião, ainda extasiado com a magia da fala de Miriam, senti inibição em perguntar qual. Justifiquei, em pensamento, que não o fazia por pura preguiça (afinal estava relacionado com aquele tipo de animal e de sua casa), porque soteropolitano só podia vir do grego ou do latim – disse-me.

Voltei para Valença, onde moro, magnetizado com o feitiço de Miriam e com o bendito soteropolitano na cabeça. O tempo passou e ontem (29/6/2011, dia de São Pedro e das Viúvas, como realçava a Miriam em seu livro “A Bahia de Outrora”), tomei coragem e perguntei-lhe diretamente. E ela, que adepta do uso constante da Internet, passou-me algo que chamo gancho (mas ela chama link: http://abahiadeoutrora.blogspot.com/2010/07/ficha-tecnica-do-livro.html), onde pude ler o que se segue: “Nós baianos somos xingados de soteropolitanos como dizia o irreverente Jorge Amado. E, muitos baianos desconhecem porque somos chamados assim. Graças à bibliotecária Genilda, da ABL, estudiosa das coisas da Bahia, descobrimos. Soteropolitano(4) vem de SOTERO: SALVADOR; POLI: CIDADE; TANO: NATURAL. Entendeu? Natural da cidade do Salvador, com muito orgulho.

“Como nós, baianos, somos “diferentes” e reverenciamos a cultura clássica, nosso gentílico tinha que vir do grego, pois Soterópolis é Cidade do Salvador, nesta língua.

“Soterópolis era uma cidade grega, erigida em honra de Sotero, imperador, cuja palavra, em grego, significa Salvador.”



© Araken Vaz Galvão

2.6.11

Mínima Enciclopédia - Émile Durkheim:

Sociólogo francês (1858-1917) autor da obra, “O Suicídio”, de 1897, publicada no Brasil pela Ed. Martins Fontes, é considerado fundamental para a consolidação da sociologia como ciência. Isso se deve principalmente a duas características de sua obra: o uso de métodos de observação empírica, como a estatística, por exemplo, e a ousadia de explicar como fato social extremo, ou seja, um fenômeno alheio à vontade do indivíduo, o ato das pessoas se matarem, o qual era atribuído ao livre arbítrio e a causas psicológicas.

Durkheim demonstra que a predisposição suicida varia segundo fatores como sexo, religião e até, estado civil. Porém o mais interessante e curioso da teoria de Durkheim é a classificação dos tipos de suicidas: O egoísta seria aquele sujeito solitário, desalentado, que “não vê mais sentido em viver”, com pouca integração social ou com fraca ligação aos valores compartilhados pelo grupo a qual pertence. Ao contrário, a opção do altruísta, não decorre do isolamento social ou grupal, mas com uma identificação tão completa que coloca em plano secundário sua existência pessoal, optando, quando for o caso, pelo seu sacrifício em nome das causas do seu grupo ou mesmo às pressões coletivas. Já o anômico, seria aquele sujeito carente normas, de leis ou de regras. Seria o indivíduo típico das sociedades em crise ou em transição. Na época de Durkheim, a sociedade industrial, hoje, a sociedade do consumo, das massas anônimas, carentes de valores morais, humanos. (Sobre anomia, ver quadro ao lado).

Anômico vem de anomia, ou seja, ausência de leis, de normas ou de regras de organização. Em sociologia – que é o que nos interessa – é a situação em que há divergência ou conflito entre normas sociais, tornando-se difícil para o indivíduo respeitá-las igualmente. Em neurologia – que não vem ao caso – é perda da capacidade de nomear os objetos.



4.5.11

Mínima Enciclopédia – Lucky Luciano:

Nome como ficou conhecido o famoso gângster italiano, residente nos Estados Unidos, tido como um gênio do crime, a quem é atribuída a criação da Cosa Nostra, Máfia americana. Colaborou com os Estados Unidos na invasão da Itália e, por isso, não só foi indultado, depois deportado, como recebeu de presente o controle no mercado negro nas zonas libertadas da Itália durante a II Grande Guerra. Lucky teve papel importante, mesmo estando na prisão, e condenado a prisão perpétua, na criação da cobertura para o desembarque dos soldados estadunidenses no sul da Itália. Muitas das vitórias fulminantes do general Patton deve-se a essa ajuda. O que explicaria de certo modo a forma como ele sobrepujou o marechal Montgomery. Foi por essa ajuda que, depois da guerra, Luciano foi indultado e expulso dos Estados Unidos, tendo morrido, rico e mafioso, na sua terra natal, a Sicilia. De onde continuou controlando até antes de morrer, a Cosa Nostra nos Estados Unidos.

Sobre Patton há o excelente filme de Franklin J. Schaffner, de 1969, com roteiro de Francis Copola, com destaque para a participação dos atores George C. Scott, como Patton, e Karl Malden, como Omar N. Bradley, outro importante general estadunidense da II Grande Guerra. Entretanto, neste filme não há nenhuma alusão ao acordo feito entre o Serviço Secreto dos Estados Unidos e Luciano, que teria facilitado as proezas (e as bravatas) de Patton.

Por outro lado, naquela enciclopédia aberta da internet há algumas referências interessantes sobre esse ponto, como, por exemplo: Em 1935, o procurador geral Thomas E. Dewey tinha reunido provas suficientes para prender Luciano. Somavam noventa as provas, entre extorsão e prostituição. Ele pegou de 30 a 50 anos de prisão, mas havia rumores que as Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial precisavam de ajuda para a invasão da Sicília. Eles contataram Luciano e ofereceram a ele uma proposta. Se ele mantivesse contato com seus amigos mafiosos na Sicília, poderia ser solto, porém seria deportado para a Itália. Luciano aceitou essa proposta, e morou em Roma por um ano. Logo ficou insatisfeito com esse modo de vida, e sua opção estava entre voltar para os EUA ou arranjar uma reunião com Lansky, Siegel, e outros chefes em Cuba. As autoridades americanas souberam da presença de Luciano na Conferência de Havana, e ele foi, então, forçado a voltar para a Itália.


8.3.11

Mínima Enciclopedia - Três Palavras: Ensejo, Epítome e Esboroar

Ensejo: Oportunidade, ocasião propícia. Cuidado com a palavra pretexto, que às vezes é usado com esse sentido, pois ela tem outro significado. Pretexto, porém, tem um sentido que pode ser chamado de apenas aparentado, ou seja, similar longínquo; por isso só se pode usá-la naquele sentido com sumo cuidado, porque esta palavra significa “razão aparente ou imaginária” – registra-a o Aurélio – e para se dissimular o “motivo real de uma ação ou omissão”. Ou seja, o mesmo que desculpa.




Epítome: Resumo de obra (história, geografia, filosofia, etc.), destinada especialmente ao uso escolar, e que se limita a realçar os pontos mais importantes. Nesse sentido, o mesmo que compêndio. Significando, por isso, o mesmo que resumo, abreviação, sinopse, síntese. Há também o verbo epitomar, que significa resumir.



Esboroar: Verbo transitivo direto, significa “Reduzir a pó; desfazer; esterroar. Derribar, desmoronar, esbarrondar”. Como verbo intransitivo e verbo pronominal significa “Reduzir-se a pó. Esbarrondar-se, desmoronar-se.” Formada pela palavras boroa (o mesmo que broa), mais o prefixo es, e mais o prefixo ar. Conjuga-se pelo verbo coroar. Possui as variações: esbroar, desboroar. Citado por Denise Vreuls na tradução de “O Planeta do Sr. Sammler, de Saul Bellow, Edição do Clube do Livro, 1969, pág. 54”.



14.2.11

Mínima Enciclopédia - Anus

Aquilo que todos sabemos. Não confundir com a forma popular de se referir ao dia do aniversário, uma vez que comum se dizer: Hoje é o dia dos meus anos. E, por distração e maneira de se pronunciar, confundir as vogais O e U e, em razão disso em vez de dar uma festa no dia dá-la no lugar. Aconselha-se ainda, não confundi-lo com ônus. Recomenda-se também cuidado para que o ânus não sofra ônus. Sendo o terminal do reto – não sendo aconselhável deixá-lo na reta – é considerado a Saída, ainda que alguns o chamem também de entrada, outros de mão dupla. Na língua portuguesa o sinônimo mais comum é formado com a consoante C e a vogal U, sem acento, embora ao se sentar ele fique próximo do assento. Por seu caráter de recato (ou hipocrisia, não sei...), existem vários sinônimos chulos em nosso idioma. Confira os que o Aurélio registra. Feofó ou fiofó, fiota ou fiote, finfa, foba, pevide, viegas, alvado, ás-de-copas, boga, botão, butico, fueiro, furico, oritimbó, rosca, zé-de-quinca. Conheço ainda toba, roscofe, biscoito e pregueado. Enquanto o Houaiss, além de confirmar pevide e ás-de-copas, registra ainda: anilha, apito, berba, bogueiro, cagueiro, centro-das-convicções, centro-do-oiti, cesta, diferencial, fioto, frasco, loto, panela, pêssego, quiosque, rosa, sim-senhor, tutu. No Rio Grande do Sul, informa-me um especialista, existe também brioco.

27.1.11

Mínima Enciclopédia - Braga

Antiga peça do vestuário de uso entre alguns povos da antiguidade, que durou até a Idade Média, hoje é usada apenas em alguns países mulçumanos. Em Portugal, parte de uma espécie de armadura de couro que cobre a perna e o joelho, ou seja, grevas. O mesmo que esparto ou linho. Entretanto, no Açores é o mesmo que ceroulas. Por essa via, está na raiz de bragueta ou braguilha. Por metáfora pode ser relacionada com coisa que tolhe, prende, impede. Pode ainda se relacionar com “qualidade, laia”. É substantivo feminino. Pode também estar relacionada com “calceta”, ou seja, uma argola de ferro onde se prendia um escravo. Em último caso pode ainda estar relacionada com arquitetura militar, como termo da marinha, por esta via, pode-se chegar ao remador cativo das galés.

20.12.10

Mínima Enciclopédia - Beat

Beat, geração Beat: “esta palavra designava uma nova voz da alma” – Segundo Gaspari. Beat era um termo de gíria do mundo dos drogados, e desde os anos 40 era usada para definir uma droga falsificada. Um ladrão e prostituto – sempre segundo Gaspari – que definia a expressão beat como “derrotado”, e a empregou em relação a um vagabundo, que veio a ser autor de um livro amado por outros drogados de classe média, de nome Jack Kerouac, que se tornou paradigma de toda uma geração, pois o via como um derrotado ou uma daquelas pessoas que viam sempre o mundo contra si. Não se sabe se pela posterior popularidade das drogas ou de um dos seus apologistas – o próprio Kerouac – um jornalista de São Francisco glosou a expressão beatnik – acoplando ao termo o sufixo do primeiro satélite artificial feito pelo homem, no caso o Sputnik, dos soviéticos.

Bem, sobre esses expoentes dos anos 60 e seguintes, vejamos o que podemos dizer sobre o fim de cada um deles: Jack Kerouac só é lembrado hoje como referência de uma época e por seus velhos e decadentes seguidores. Allen Ginsberg, ainda será lembrado porque era um poeta de talento. Aldous Huxley, anda um pouco desatualizado, Bush esteve aí criado um “Admirável mundo novo” que Huxley jamais ousou sonhar. Charles Wright Mills, alguma coisa de sua obra, baseada nos conceitos de Marx e Weber, por certo ficará. Herbert Marcuse, também anda meio esquecido, tinha talento como pensador de uma época, mas... Martin Luther King, não há dúvida, entrou para a História e será sempre uma referência mundial contra aquilo em que seus compatriotas brancos são mestres: discriminação e arrogância, entre tantas outras coisas. Frantz Fanon, este é o caso mais polêmico, quiçá, enganador. Negro, nascido em uma das possessões francesas do Caribe, Martinica, escreveu um livro que causou espécie, “Os Condenados da Terra”. Essa obra ajudou a indignar ainda mais a juventude de minha época. Anos mais tarde, soube-se que a CIA andara envolvida em sua publicação, não me lembro se chegaram a acusá-lo de agente da mesma ou se ele teria sido apenas manipulado, pois a CIA tinha tão-somente financiado a publicação da obra. Mistério que não nos interessa desvendar... Sabe-se, sim, que ele entrou no mais completo ostracismo. E por falar em ostracismo, Ângela Davis – que Gaspari esqueceu de citar –, um dos símbolos, perdão, ícones daquela época, andou muito tempo desaparecida, apareceu aqui na Bahia, mas o certo que o seu tempo passou.

4.12.10

Mínima Enciclopédia - Obsidiana


Vinda do latim obsidianus lápis, por obsianus lápis, ou seja, Pedra de Óbsio, do antropônimo Óbsios, descobridor dessa pedra na Etiópia. Vem a ser a designação comum a diversas variedades de lavras, em geral escuras, pobres de água, com fratura em forma de concha, e de aspecto vítreo. Daí vem o verbo obsidiar, que significa: Cercar, assediar. Podendo ser: Observar o comportamento ou a vida de alguém; espiar. Ou ainda: Importunar, incomodar, perturbar, molestar. Dizem que essa pedra, quando em forma de estilete, corta mais que um bisturi, daí afirmar-se – pelo menos se diz que em alguns países que falam o idioma espanhol, em particular na América Central, creio que em El Salvador, –, quando uma mulher deseja dilacerar o coração de um homem, grita: “aguarde minhas facas de obsidiana (cuchillo de obsidiana)”, com isso ameaçando com algo terrivelmente cortante e sofrido.

5.10.10

O tupi nosso de cada dia

Acompanhe O Tupi Nosso de Cada Dia, série de artigos que tenho escrito sobre o uso cotidiano de palavras tupis e originárias da língua tupi, publicada na revista O Lobo: www.olobo.net

13.9.10

Mínima Enciclopédia - McCarthy - Marchartismo

Senador pelo estado de Wisconsin, Joseph Raymond McCarthy (1908-1957) ou Joseph McCarthy, como era mais conhecido, foi um político obscurantista, de extrema-direita, surgido nos Estados Unidos, que teve seu auge paranóico entre os anos de 1950 a 1954, que moveu uma sistemática campanha de perseguição – caracterizada pela intimidação para incentivar a delação –, sobretudo contra artistas, intelectuais e cientistas, os quais eram acusados de “atividades anti-americanas”. Esse fenômeno, fruto da histeria anticomunista, filha direta da guerra-fria, teve também uma forte composição de oportunismo político e exploração da histeria coletiva frente ao comunismo, desencadeando uma verdadeira caça às bruxas, isto é, a qualquer pessoa que fosse acusada de comunistas, simpatizante do comunismo ou simplesmente indivíduos denunciados sem qualquer base concreta. Passado o período negro, depois que centenas de técnicos a artistas foram impedidos de trabalhar, ou seja, depois de atingidos os seus principais objetivos, o macarthismo entrou em declínio, entretanto um dos principais aliados de McCarhty naquela campanha, Richard Nixon, chegou mais tarde à presidência dos Estados Unidos, com as conseqüências que todos conhecemos.

Foram muitas as vítimas do marchartismo entre o pessoal de cinema, os casos mais divulgados foram os de Charles Chaplin (1889-1977), os diretores Joseph Losey (1909-1984) Jules Dassin (19911-1980) e Abraham Polonky (1910-1980), o escritor Dashiell Hammett (1894-1961), já citado. Há ainda o caso de Carl Foreman, o roteirista de “Matar ou Morrer”. E tantos outros. Esses nomes, porém, foram daqueles que não se dobraram. Casos houve, como o de Elia Kazan (1909-2004), diretor de cinema e de teatro, de origem turca, embora sua família fosse grega, naturalizado americano cujo nome era Elia Kazanjoglous, autor de algumas obras-primas que criticavam, com certo rigor, os privilegiados da sociedade americana. Elia Kazan foi transformado – pelo marchatismo – no maior dedo-duro da história do cinema americano. Levado ao ápice do terror, Kazan, por medo ou por ser crápula, chegou ao cúmulo de pagar um anúncio nos meios de comunicação afirmando que não era comunista. Mas, não ficou só nisso, denunciou de público seus companheiros da juventude. Kazan morreu com a indelével marca de delator.

Entre o pessoal de Hollywood que esteve na prisão – conhecido como os “dez de Hollywood” –, principalmente por terem se negado a denunciar colegas, estão: os diretores Herbert Biberman; o produtor Adrian Scott; os roteiristas Lester Colem, Albert Maltz, Samuel Ornitz, Dalton Trumbo, Ríng Lardner Jr., John Howard Lawson e Alvah Bessie, os quais pegaram penas de até um ano. Vários fugiram para Europa para escaparem da prisão. O diretor Edward Dmytryk, apesar de ter “colaborado”, isso é, denunciado colegas, foi também condenado. Outro que também denunciou foi o ator Sterling Hayder, que fez o papel do capitão da polícia de Nova Iorque, corrupto, que é assassinado pelo personagem interpretado por Al Pacino.

3.8.10

As imagens abaixo são das minhas obras como autor e como organizador, caso alguém tenha interesse em obtê-las, pode entrar em contato aqui pelo blog ou pelo e-mail: arakenvaz@gmail.com.






8.7.10

Simonal

Interrompo a Mínima Enciclopédia para publicar algo sobre aquele que foi uma grande cantor e, ao que parece, não foi um bom cidadão. A interupção é em termos, já que trata-se de informação, que é o objetivo daquela Mínima...

Simonal


Vejo agora n’ A Tarde(1) uma matéria sobre o cantor Wilson Simonal e sobre o filme que fizeram sobre sua trajetória de artista talentoso que foi. O artigo parte de algumas informações contidas no livro de Mário Prata “Esquecemos de Anistiar o Simonal”. E, talvez por se pautar em informações tendenciosas ou incompletas, há na matéria algumas imprecisões. Sobre as quais tomo a liberdade de especificar: A principal delas está implícita nos períodos: “A derrocada (de Simonal) começou ao chamar amigos policiais – integrantes do DOPS (Delegacia de Ordem Política e Social) – para dar uma coça no contador, o que aconteceu na delegacia.” É preciso esclarecer que coça é uma palavra muito leve para se caracterizar sevícia ou tortura, que era o que se praticava nos porões do regime militar, em particular no DOPS. Seria também de causar assombro que os amigos de Simonal fossem agentes do DOPS...! Ainda que tal não o configure como dedo-duro. Isso para não falar do censurável fato de chamar – na calada da noite (com perdão do lugar-comum) – os beleguins da ditadura para espancar desafetos... Ainda que isso também não o configure como dedo-duro, só como um homem que – a exemplo de alguns coronéis do sertão, e na Bahia, ou poderosos do de todo o mundo – gostam de agir dessa forma, ou seja, ao arrepio da lei.
E segue o texto com outras imprecisões que dão lugar a interpretações dúbias: “O fato foi descoberto pela imprensa e Simonal se afirmou como homem ligado ao regime militar. Foi um prato cheio para que a mídia esquerdista começasse a espalhar que (ele, Simonal) era um delator, falha grave naqueles duros anos.” Mais além de que “naqueles duros anos” de ditadura não existisse mídia esquerdista. Toda a grande impressa apoiava ou tolerava o golpe, inclusive A Tarde e outros jornais do eixo Rio-São Paulo. Sem esquecer o fato de que ser delator, ou seja, informante como o foi Silvério dos Reis e Calabar – salvo melhor juízo – é uma falha grave em quaisquer tempos, pelo menos o é para as pessoas de caráter. Porém, isso não é só o que há de incongruência no texto. Senão vejamos o que é dito a seguir: “E o público, que sofria na pele a rigidez do golpe militar, trocou as costumeiras palmas pelas vaias (...)”
Agora vamos aos fatos, conforme publicado por todos os grandes jornais do Rio de Janeiro na época (e não na mídia esquerdista, que não existia): Simonal contratou policiais do DOPS para espancar seu contador, que ele julgava que o roubava. O contador – que não devia ser flor que se cheirasse – deu queixa e, ao que parece, acusou Simonal de ser esquerdista, uma vez que era um artista e quase todos os artistas estavam contra o golpe militar, e quem estava contra o golpe era comunista. O caso foi parar na justiça. No julgamento Simonal (ou seu advogado) apresentou como testemunha um policial do DOPS. Este declarou em depoimento, isto é, sob juramento, que Simonal tinha amigos esquerdistas (Leia-se: comunistas), mas não era de esquerda, porque tudo que os artistas falavam ele informava ao DOPS...
Ora, quem falou isso – conforme se pode constatar nos jornais da época, inclusive na revista Veja – foi um seu amigo, policial do DOPS, a quem ele apresentara como testemunha, em juízo, contra o contador que o estaria roubando, e a quem ele mandou dar uma surra.
Frente a isso, os primeiros a execrarem-no foram os artistas de quem ele ouvia e informava ao DOPS, segundo o próprio policial seu amigo. O que me parece uma justa indignação. O público mais politizado realmente o vaiou, porém ele já estava “queimado” – como se dizia na época – e a sua decadência foi uma conseqüência natural, até mesmo porque os produtores culturais deram-lhe as costas.
Se ele era ou não delator, dedo-duro ou informante, não sei. Os arquivos do DOPS podem confirmar ou desmentir este fato. Que ele era um artista de talento, não há nem nunca houve dúvida. Porém, só pelo seu comprovado talento não pode ser apagado o que fez de errado. E pelo menos uma coisa fez: Mandou surrar um desafeto, ignorando a lei. Apresentou como seu amigo e testemunha um policial ligado ao pior aparelho de tortura da ditadura, o qual o “delatou” como informante.
No mais, quase tudo que está escrito no artigo d’A Tarde é verdadeiro. Quase...
O que aqui afirmo, ainda que não tenha a mão os jornais da época, está em minha memória. Por isso repito: Um sujeito que contrata uns bandidos para aplicar uma surra a um seu desafeto... Perdão. Um cantor famoso contrata um policial da Polícia Política para aplicar um corretivo em um seu desafeto... E esse, o policial, vai depor em juízo – leia-se, sob juramento – e diz que o acusado, no caso Simonal, é informante desta mesma polícia, por isso ele, Simonal, cai em desgraça e a culpa é da “esquerda”, tenha paciência!!! A culpa de ele ter caindo em desgraça foi de ter dito amigos como o policial que o denunciou em juízo. Aliás, Simonal não precisaria ter inimigos na “esquerda” para ser destruído, destruiu-o sua falta de caráter, de dignidade. Admito que ele, apesar do incomensurável talento, podia não passar de um simplório, um ingênuo ou mesmo mais um desses brasileiros que, com dinheiro, acham que estão acima da lei e do direito mais comezinho(2) e, por isso, manda aplicar corretivo em quem lhe é persona no grata.
Mais tarde, quando todos lhe viraram as costas – e isso está na revista Veja(3) –“Simonal brandia documentos do Serviço Nacional de Informação que provariam sua inocência”. Seria o mesmo que um carcereiro, do mais baixo nível hierárquico, de campo de concentração de Auschwitz, por exemplo, mostrasse aos tribunais de Israel, documentos assinados por Himmler que provariam sua inocência. Infeliz do sujeito que tem que brandir documentos comprovando que é honesto, ainda mais oriundos de onde ou de quem...
Mas como sei que A Tarde jamais publicaria meu texto – tampouco estou interessado que o faça – publico aqui mesmo, em ValençaAgora, para que uma notícia tendenciosa não fique sem resposta. Ainda que esta resposta se restrinja ao povo da nossa região.

A. Vaz Galvão
Valença, Ba, 19 de outubro de 2008








(1) Caderno 2, domingo, 19/10/2008, págs. 1 e 3. Salvador, Bahia. Os textos são assinados por Lucas Cunha.
(2) Agora, 8/7/10, ao reler essa crônica com vistas a publicá-la em meu blog, a mídia estava fervendo com o monstruoso crime da prostituta – vulgo garota de programa – relacionada com o goleiro do Flamengo, então fiquei matutando quantos anos seria necessário passar para que algum jornal – e algum jornalista babaca – viesse a público indagar algo similar ao que pedem para Simonal, ou seja, quando irão indultar Bruno, caso seja ele verdadeiramente o mandante daquele horroroso crime.
(3) “Veja”, 5/7/200, pág. 123, sem indicação do autor.

15.5.10

Mínima Enciclopedia - Firmenich

Firmenich, Mario Eduardo:

Nome de um dos mais conhecidos chefes da guerrilha urbana, de origem peronista, que dominou na Argentina na década de 70, conhecida como Montoneros, cuja organização tinha justiçado algumas pessoas ligadas ao aparelho repressor – e tinha também praticado seqüestros que resultaram em resgates milionários, entre elas as ações espetaculares e ousadas, seqüestraram um dos donos de uma multinacional ligada à agricultura aos alimentos e aos fertilizantes, ação que teria sido cobrado 60 milhões de dólares. Os montoneros seqüestraram e fuzilaram o ditador Aramburu, um dos carrascos de Perón. Essa organização que em sua origem era de extrema direita e, ademais, anti-semita, com laivos de fascismo, tinha o nome de Taquara. Mas tarde, durante os chamados “Anos de Chumbo”, fez uma curiosa mistura entre marxismo e peronismo de cunho popular-revolucionário, naturalmente que partidário da luta armada, mais ou menos ligado a teoria do foco. Com fama e muito dinheiro, Fermenich começou a percorrer outros países para divulgar seu movimento. Apareceu, inclusive, na Nicarágua, no auge dos sandinistas no poder, ocasião em que se apresentou no palanque uniformizado com farda camuflada de comandante. Firmenich, entretanto, depois da volta da democracia, ao ter se apresentado à justiça, negou em juízo ter participado do fuzilamento dos seus prisioneiros. Mesmo tendo se apresentado em vários países de esquerda como comandante – cargo militar, por excelência – que possui como princípio aquela que reza ser o comandante o principal responsável pelos atos dos seus comandados...
Sem embargo, seu principal algoz, o general Videla, em situação similar, assumiu toda a responsabilidade no banco dos réus, demonstrando muito mais dignidade, embora tenha sido um notório responsável por torturas e jamais tenha se arvorado ser defensor da liberdade...
Que ironia!

PS.: Para variar, houve um erro , dos muitos que cometo seja por digitação ou por analfabenismo mesmo (um idiota já tinha me gozado por outro desses meus contantes erros; mas não quero falar de idiotas), o nome do general assassino e torturador era Videla e não Vilela, como ficou por muito tempo. A correção é feita por idicação de fiel leitor e orientador. Aliás, foi essa pessoa que deu a ideia da Mínima. Foi feita a correção no texto.
Araken Vaz Galvão

14.4.10

Mínima Enciclopédia - Escola de Frankfurt:

Surgida nesta cidade alemã, na década de 1930, essa corrente filosófica se caracteriza pelo rigoroso estudo crítico das sociedades industrializadas modernas. Exerceu forte influência sobre quase todos os movimentos de rebeldia da segunda metade do Século XX, sendo considerada o estopim intelectual do maio francês de 1968.

O grupo de intelectuais dessa Escola, composto de filósofos, sociólogos, psicólogos e economistas, em sua maioria marxistas e com influências da psicanálise e de forte cunho anti-capitalista, teve como aglutinador Max Horkheimer, diretor do Instituto de Pesquisas Sociais de Frankfurt, que acreditava que “o progresso econômico tinha como contrapartida a massificação e a perda da individualidade. Horkheimer propunha a transformação da sociedade capitalista num socialismo fundado na razão e na liberdade, que assegurasse o bem-estar de todos os cidadãos”. Com a ascensão do nazismo os principais expoentes dessa Escola viram-se obrigados a buscar refúgio nos Estados Unidos. Foi quando o pensamento desses brilhantes intelectuais conheceu uma fase bastante pessimista.

Com o fim do nazismo – e da II Grande Guerra – Horkheimer retornou a sua pátria. Mas o pós-guerra, além de lhe mostrar que o fascismo não foi derrotado por uma revolução, havia ainda a agravante do fenômeno stalinista e toda uma controvérsia entre as diferentes correntes marxistas. E – mais grave – o progresso econômico patrocinado pelo capitalismo, que tinha como contrapartida a massificação e a perda da individualidade do homem médio, quanto mais incentivava um consumismo desenfreado, mais “demonstrava uma notável capacidade para assumir suas próprias contradições, mas também, graças a sua ‘indústria cultural’, para anular todo o pensamento crítico e todo movimento de transformação do regime.”

Nessa fase, chamada de terceira, surge o nome de Theodor W. Adorno, cujas bases do pensamento estão expostas no livro Dialética Negativa, de 1966. Contrapondo-se a esse pensador, surge o polêmico Herbert Marcuse, talvez o nome mais conhecido dessa Escola (O nome, repito, mas não necessariamente o conteúdo da obra...). Além desses nomes, cabe citar ainda Jürgen Habermas. Sobre essa Escola é bom ver Althuser e Marta Hanecker, seus grandes entusiastas e divulgadores nos anos 70.

18.3.10

Mínima Enciclopédia - Grukha:

Nome de uma etnia do Nepal onde são recrutados os soldados para uma tropa de combatentes especiais ingleses. É considerada como composta de guerreiros, mas na realidade, são assassinos profissionais. Possivelmente esse grupo tenha sido, no passado, uma tribo similar aos ianomânis, que também cultuam a morte do adversário (de outra etnia) como uma prova de valor másculo de um guerreiro. O imperialismo inglês profissionalizou, por assim dizer, essa primitiva característica, colocando os membros desse povo a seu serviço, a serviço dos seus interesses. São considerados assassinos natos.

25.2.10

Mínima Enciclopédia - Beguin, Manachem

Terrorista judeu, um dos mentores do atentado contra o Quartel General inglês na Palestina (Hotel King David), em 22 de julho de 1946, onde morreram mais de 60 pessoas. Beguin, que tendo sido condenado à morte por suas ações de terroristas, sendo, mais tarde, indultado por Ben Gurion. Anos depois chegou a ser um importante político de Israel, alcançando o cargo de primeiro-ministro.
Por essas e outras é que, ao ouvirmos falar de democracia e democratas, termos a coragem de perguntar: Qual democracia e qual democrata, Cara-Pálida? Qual terrorismo, Cara-Pálida?

19.1.10

Mínima Enciclopedia - Irgun Tsvai Leumi:

Nome de um grupo terrorista judeu (cuja tradução seria Organização Militar Nacional), fundado na Palestina antes da criação do Estado de Israel, autor do massacre da aldeia palestina Deir Yassim, em conseqüência do qual morreram 200 pessoas, em sua maioria crianças, mulheres e velhos. Isso aconteceu três anos depois da morte de Hitler. Em 9 de abril de 1948.
Hagannah: Nome da organização paramilitar (hoje seria chamada de terroristas) de Israel, que veio a dar origem ao exército deste país.
Gush Emotin: Grupo criado em Israel depois da guerra de 1973 que se punha ferozmente à devolução dos territórios ocupados.
Por essas e outras é que, ao ouvirmos falar de terrorismo, termos que ter a coragem de perguntar: Qual terrorismo, Cara-Pálida?

18.12.09

Mínima Enciclopedia - Sobre o nome Monção:

De uma forma arcaica, moução, do árabe mawsîm, significa temporada, estação do ano; aquilo que se dá em certo período ou estação; o mesmo que festa, feira, safra.
Este é o significado original em árabe antigo. Em português (de Portugal e de países lusófonos) ganhou os seguintes significados:
Como substantivo feminino, a “Época ou vento favorável à navegação.”
Pode ser ainda, “Vento periódico, típico do S. e do S.E. da Ásia, que no verão sopra do mar para o continente (monção marítima) e no inverno sopra do continente para o mar (monção continental).” No sentido figurado, o mesmo que “Boa oportunidade; ensejo.”
No Brasil ganhou o sentido de “Qualquer das expedições que desciam e subiam rios das capitanias de SP e MT, nos sécs. XVIII e XIX, pondo-as em comunicação.”
Os dados acima foram extraídos do Aurélio Eletrônico 2000
Já a Enciclopédia Britânica registra monção como sendo o “Nome dado ao sistema de ventos que reverte sua direção de acordo com as estações do ano. Resulta da diferença de aquecimento entre o continente e o oceano. “Desde o mar Arábico, ou de Omã, até o Extremo Oriente, as alterações climáticas são dominadas pela monção, regime de ventos periódicos que, no verão, se caracteriza por chuvas abundantes e benéficas para a agricultura.” Monção é, pois, o nome dado ao sistema de ventos que reverte sua direção de acordo com as estações do ano. Os casos mais típicos de monções ocorrem no sul da Ásia e na África. Quando sopra no inverno ventos, chama-se monção continental. No verão, trata-se da monção oceânica. “A monção decorre da diferença de aquecimento entre o continente e o oceano. Nas estações frias, se estabelece na Sibéria uma área de baixas pressões onde se originam ventos frios e secos que sopram do nordeste, entre outubro e maio, em direção ao oceano Índico. Nas estações quentes do hemisfério norte, entre maio e outubro, a área de baixas pressões se situa no Índico, de onde partem, de sudoeste e sudeste, ventos quentes, carregados de umidade, em direção ao continente.” E diz mais: “O estouro da monção ocorre após longo período sem chuvas, em plena primavera boreal (abril e maio), quando os ventos mudam violentamente de direção e passa a chover prolongada e abundantemente. Também há tendências desse tipo no mar do Caribe e na Europa central, entre outras regiões.”
Nessa época de mudanças climáticas, quando ouvimos falar de inundações em vários continentes, talvez seja bom se saber algo sobre Monções.

30.11.09

Mínima Enciclopedia - Hasan ibn-al-Sabbah:

Nome do líder de uma tribo ou seita ismailita do Norte do Irã,, cujo líder era Hasan ibn-al-Sabbah, cujos seguidores, durante a época das cruzadas, séc. XII, costumava inebriar-se com o cânhamo (maconha) antes de atacar e matar líderes sunitas e cristãos. Daí veio a palavra Assassino: Substantivo de origem persa, hassasin, que significa “consumidores de haxixe”, vindo para o árabe e, deste, para o francês, assassin e para o italiano assassino e também para o português.

15.11.09

Mínima Enciclopedia - Tutsis e Hutus:

A primeira é uma etnia (tribo) africana, minoritária na Ruanda, país Centro-Africano, que sofreu, em 1994, terrível massacre da etnia rival, os Hutus, A impressa ocidental falou em 800 mil mortos, porém a imprensa ocidental não merece muito crédito nesses dados, porque costuma exagerar para mais e para menos. Mas que o massacre existiu, não há dúvida e nada ficou a dever em ferocidade ao que os turcos perpetraram contra os armênios em 1915.
A segunda, os Hutus, são também uma etnia centro-africana, mais concentrada em Ruanda, que praticou, em 1994, o terrível massacre contra a etnia rival, os Tutsis, com quem dividia o país (criado artificialmente pelo colonialismo, diga-se de passagem). A impressa ocidental falou em 800 mil mortos, porém a imprensa ocidental não merece muito crédito nesses dados, porque costuma exagerar de acordo com seus esquemas e interesses. Mas que o massacre existiu, não há dúvida.
Hoje, no Brasil, onde existe um acentuado esforço não para acabar com o nosso hipócrita e disfarçado racismo, mas para acentuá-lo e torná-lo ressentido e violento, como ocorre em muitos outros países europeus e, inclusive, em muitos países africanos, o verbete, hoje apresentado na nossa Mínima Enciclopédia, é uma exemplo triste, e, por isso, deve ser motivo de preocupação de todos os brasileiros honestos – independente de cor, credo ou condição social.
É preciso que, ao ouvirmos falar de racismo, sem deixar o nosso coração encher-se de falsas ironias, devemos perguntar: Qual racismo, Cara-Pálida?

24.10.09

Mínima Enciclopedia - Little Big Horn:

Ou Little Bighorn River, nome de uma localidade onde se deu a batalha em que o exército dos Estados Unidos, comandado pelo arrogante general George Armstrong Custer, foi derrotado por uma espécie de confederação guerreira de várias tribos dirigidas pelo cacique sioux Touro Sentado.
Há um belíssimo filme de Artur Penn, “O Pequeno Grande Homem” (Little Big Man), de 1970, em que é tratado tema de forma admirável, enfocando a questão daquela batalha do ponto de vista dos índios.
E já que me refiro ao tema índios tratado no cinema, mui raramente, de forma honesta, da década de 70, mais precisamente em função da guerra contra o Vietnã – quando os pés de barro do ídolo foram mostrados – alguns filmes sobre esse assunto foram realizados, entre eles destaco o filme de Raph Nelson, “Quando é preciso ser Homem” (Soldier blue), também de 1970.

10.10.09

Mínima Enciclopedia - roman à clef

A expressão francesa roman à clef, cuja pronúncia, segundo informação da internet, é “romanaclê”, e a tradução seria “romance com chave”, está relacionada com as obras em que o autor, por uma razão ou por outra, narra, em forma de ficção, fatos ocorridos em seu tempo usando nomes fictícios no lugar dos nomes reais. A chave (clef) é decifrada por quem, por qualquer motivo, identifica nos nomes forjados dos personagens verdadeiros, seja por ter sido contemporâneo dos fatos seja por ter sido co-partícipe deles. Na maioria das vezes essa tarefa é facilitada pelo próprio autor que escolhe nomes “falsos” muito parecidos com o dos verdadeiros protagonistas dos fatos. Entretanto, mesmo que não se identifique pessoas com personagens, a obra terá o seu valor literário correspondente.
Na fonte que encontrei na internet há como um dos exemplos clássicos, a obra de Coelho Neto, “A Conquista”, “onde ele mostra a vida boêmia e literária do Rio de Janeiro durante a Campanha da Abolição. Alguns personagens históricos aparecem sob seu próprio nome, como José do Patrocínio. Outros, sob nomes mal disfarçados: “Otávio Bivar” é Olavo Bilac, “Paulo Neiva” é Paula Nei, e assim por diante. Outros, como “Anselmo Ribas” e “Ruy Vaz”, são pseudônimos que o próprio Coelho Neto usou na vida literária, e parecem corresponder a diferentes facetas do próprio autor.” Cita também que outro exemplo clássico estaria no obra: “Lucrezia Floriani, em que a escritora George Sand liberou as mágoas contra o ex-amado, o pianista polonês Frédéric Chopin. Sand rebatizou o compositor de Karol de Roswald, mas a sociedade européia do século XIX entendeu o recado”.
É citada ainda como uma obra que seria um roman à clef a “Valsa Negra (Companhia das Letras; 244 páginas; 32 reais)”, da escritora Patrícia Melo, cuja trama se relaciona com uma dúvida que incomoda aos afeiçoados da música erudita no Brasil.
Diz ainda o autor dessas informações que “Patrícia Melo teve a idéia de uma história de ciúme protagonizada por um maestro anos atrás. Começou a pesquisar o mundo da música clássica no Rio de Janeiro, mas então foi apresentada ao regente John Neschling, diretor artístico da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, que lhe franqueou os bastidores da instituição. Ela e Neschling começaram um namoro no fim do ano(?) passado, e estão juntos desde então. Embora o maestro e a orquestra de Valsa Negra sejam desprovidos de nome, suspeita-se que muitas histórias reunidas pela escritora nas coxias da orquestra paulista tenham ido parar nas páginas de seu livro. As coincidências, é bom que se enfatize, estariam nos detalhes, e não no enredo central, que envolve inclusive um assassinato.” Mais além de que a vida particular da escritora não seja relevante para este verbete, cito porque sempre se deve citar as fontes. Uma vez que a coisa mais abominável que pode existir é pirataria, plágio ou “chupada” (de idéias alheias), é claro.
Já em outra fonte, da mesma internet, encontrei outro autor que diz mais ou menos a mesma coisa, acrescentando que o autor do “romance com chave”, recorre a esse expediente, o da “chave”, por diferentes motivos. “Às vezes o cara quer descrever o espírito de uma época, os tipos humanos que a caracterizaram, e quer utilizar episódios reais; mas ao mesmo tempo quer ter liberdade suficiente para dar uma ajeitadinha nos fatos, fazer com que ocorram de uma maneira mais interessante do que realmente ocorreram; em suma, copidescar a História. Aí, em vez de um relato autobiográfico, faz um romance-com-chave onde personagens e fatos são alternadamente reais e inventados.”

24.9.09

Mínima Enciclopedia - Burca

“[...] Foi durante o regime do rei Habidullah, entre 1901 e 1919, que a burca foi introduzida (no Afeganistão). Ele impôs às duzentas mulheres do seu harém o uso da burca, para que não tentassem outros homens com seus belos rostos quando estavam fora dos portões do castelo. O véu que cobria tudo era de seda com bordados, e as princesas de Habidullah tinham até burcas bordadas com fios de ouro. Assim, virou traje para a classe alta, para protegê-las dos olhares do povo. Nos anos 1950, o uso da burca estava difundido no país inteiro, principalmente entre os ricos.” O que nos leva a concluir que a burca foi uma moda inventada pelo rei, que as mulheres dos ricos adotaram-na, o que levou ao povo imitar e ao regime Talibã, bem mais tarde, a institucionalizá-la... Interessante, não? (Isto é dito por Åsne Seierstad, In O Livreiro de Cabul, Editora Record, Rio de Janeiro/São Paulo, tradução de Grete Skevik, 6ª edição, 2006, pág. 112/113). Este livro, aliás, muito incensado no Ocidente, carece de objetividade. E está repleto de preconceitos. O mais interessante, porém, é que durante o regime Talibã – sob todos os ângulos possíveis execrável –, a imprensa Ocidental vivia mostrando o absurdo que era o uso da burca. Entretanto agora, durante as eleições fajutas no Afeganistão – ocupado pelos Estados Unidos e pela OTAN – todas as mulheres que apareceram nas filas de votação estavam com a burca... Por que será? Costume de um povo ou opressão de um regime tirano?

17.9.09

Mínima Enciclopedia - Henri Christophe

Escravo haitiano (Henrique Cristóvão), um dos líderes da Independência do Haiti, que, depois de ter derrotado definitivamente os franceses, governou como rei Henri I, entre 1811 e 1820, mas dominou somente o norte da ilha. Cristophe foi um tirano dos mais sanguinários, cujo conceito de governo seguia os suntuosos padrões europeus, construiu palácios luxuosos, mas acabou por se suicidar quando se viu isolado, após uma conspiração.
A história de Henri Christophe serviu de base para o excelente romance de Alejo Carpentier, El Reino de este Mundo (O Reino Deste Mundo), talvez o único livro latino-americano completamente identificado à escola literária de origem grega conhecida como “Real Maravilhoso”.
Com este verbete termino a séria sobre o Haiti.
₢ Araken Vaz Galvão

11.9.09

Mínima Enciclopedia - Jean-Jacques Dessalines:

Escravo nascido na Guiné, África ocidental, por volta de 1758, Dessalines que proclamou a independência, em janeiro de 1804, coroando-se, a seguir, imperador, tinha sido escravo na parte francesa de Hispaniola quando aderiu à revolução negra que eclodiu na ilha em 1791, sob inspiração da revolução francesa. Partidário e lugar-tenente do líder Toussaint L’Ouverture, com quem colaborara na formação do estado negro. Com a prisão de Toussaint L'Ouverture, a qual aceitou sem opor resistência, liderou um exército negro, juntamente com Henri Christophe, e derrotou os franceses em 1803. A 1º de janeiro de 1804, declarou a ilha independente, a qual deu o nome: Haiti (ahiti, na língua aruaque, “terra alta ou montanhosa”). Dessalines, que foi assassinado dois anos depois, foi ele quem mandou, antes de morrer, exterminar últimos 3 mil brancos que restavam na ilha. Na ocasião, Dessalines afirmou: “Para escrever a Ata da Independência precisamos da pele de um branco por pergaminho, seu crânio por escrivaninha, seu sangue como tinta e uma baioneta como pluma”. A independência só seria consolidada em 1825, com o reconhecimento, pela França, do novo país. O mundo havia assistido a uma das experiências políticas mais complexas, radicais, racistas e trágicas da história. Sucedeu-o Henri Christophe, que em 1811 se proclamou imperador, mas dominou apenas o norte.

3.9.09

Mínima Enciclopedia - François Toussaint-L’Ouverture:

Líder revolucionário do Haiti, cujo nome verdadeiro era François-Dominique Toussaint, conhecido como L’Ouverture, (abertura), devido à facilidade com que abria brechas nas tropas inimigas, nasceu em Bréda, Saint-Domingue, hoje Haiti, por volta de 1743. Ex-escravo, que viveu entre 1743 e 1803, que foi cognominado de o “Bonaparte Negro”, Toussaint, que já era alforriado na época da rebelião, em 1791, inclusive era um homem de posses, pois chegou a ter 15 escravos, os quais trabalhavam para ele, naquela época, em uma plantação. Ao “aderir aos grupos rebeldes depois do começo da insurreição, logo galgou os principais postos políticos e militares. Após derrotar os brancos da ilha, Toussaint dizimou grande parte da população mestiça, matando, em 1800, 15 mil mulatos em combate.” O seu cognome de “Bonaparte Negro”, entretanto, não lhe serviu de muito, pois, ao ser capturado, foi colocado, por ordem de Napoleão, em uma prisão no interior da França, em Fort-de-Joux, França, em 7 de abril de 1803, onde terminou seus dias em condições desumanas.
Falamos sobre o Haiti no verbete anterior. Damos, assim, continuidade ao tema, não só por existir tropas brasileiras nas Forças de Paz da ONU, como também com o objetivo de fazer conhecer um pouco da História daquele sofrido país. Continuaremos nas duas próximas semanas.

28.8.09

Mínima Enciclopedia - Haiti

País situado na parte oeste da ilha de São Domingos (ou Hispaniola, como a chamou Cristóvão Colombo) – cuja capital é Porto Príncipe (Port-au-Prince), fundada pelos piratas franceses –, compartindo com a República Dominicana território daquela ilha. É independente desde 1791, e foi, por muitos anos, considerada a mais rica das colônias francesas. Seu nome atual vem da aruaque – idioma dos índios que nela habitavam (desaparecidos desde o final do século XVI devido aos maus-tratos e às doenças procedentes da Europa) – Ahiti, terra alta – foi o segundo país a se declarar independente nas Américas. No dia 24 de agosto de 1791, os escravos se rebelaram e a escravidão foi abolida a 4 de fevereiro de 1794. Em 1795, pelo Tratado de Basiléia, o resto da ilha passou à França. Em 1801, Toussaint L'Ouverture, antigo escravo (pois já era livre, inclusive tinha propriedade, onde trabalhavam 15 escravos), tomou o poder e se proclamou governador-geral. Toussaint, que fora cognominado “Bonaparte Negro”, ao aderir à rebelião logo no seu início galgou logo todos os principais postos políticos e militares, após derrotar os brancos (somente nos dois primeiros meses da rebelião, que acabou por levar à independência, mil brancos tinham sido mortos, 15 mil escravos tinham desaparecido, duzentos engenhos de açúcar foram destruídos, isso em um total de 793 que existiam. Em um total de 3 mil fazendas de café, mil e duzentas tinham sido destruídas, a maioria dos canais de irrigação e quase todo o gado fora dizimado), massacrou a maior parte da população mestiça do país, matando 15 mil pessoas, em 1800. O exército do general francês Charles Emmanuel Leclerc, enviado para restaurar o controle, derrotou as tropas do governador. Toussaint foi preso e enviado à França, onde morreu em 1803. Com a prisão de Toussaint, um exército negro liderado por Jean-Jacques Dessalines e Henri Christophe derrotou os franceses em 1803. A 1º de janeiro de 1804, a ilha se declarou independente, aí, então, é que dotou seu nome aruaque: Haiti. Dessalines se proclamou imperador e foi assassinado dois anos depois. Henri Christophe (Henrique Cristóvão) governou a parte norte da ilha com o título de rei Henrique I, entre 1811 e 1820, tendo se suicidado em função de uma conspiração. A história do Haiti se confunde com violência. Como os brancos sobreviventes tinham fugido para os Estados Unidos e Cuba, com a subida de Dessalines ao poder – como rei, Jaques I – mandou exterminar os últimos 3 mil brancos que restavam na ilha. Na ocasião, Dessalines afirmou: “Para escrever a Ata da Independência precisamos da pele de um branco por pergaminho, seu crânio por escrivaninha, seu sangue como tinta e uma baioneta como pluma”. A independência só seria consolidada em 1825, com o reconhecimento, pela França, do novo país. O mundo havia assistido a uma das experiências políticas mais complexas, trágicas e sangrentas da história.

21.8.09

Mínima Enciclopedia - Algonquins

Índios que viviam na ilha de Manhattan, os quais a teriam vendido aos judeus, que tinham sido expulsos de Pernambuco (1648) quando da derrota dos holandeses, a citada ilha por dez dólares, dinheiro que logo gastaram com bebidas. Entretanto é preciso não se tirar conclusões apressadas dessa transação. Os índios, todos os índios, não tinham noção de propriedade, achavam, mais bem, que eles pertenciam a terra e nunca que a terra pertencia a eles. A venda da ilha de Manhattan, pois, pode significar duas coisas: os índios achando que eram espertos, vendendo para os brancos aquilo que não eram deles. Ou: os brancos sendo espertos, comprando dos índios algo valioso por dez-réis de mel coado.
Este verbete deveria chamar-se: Diversidade cultural. Afinal, esse conceito tão propagando em nossos dias – mas tão pouco compreendido e praticado – enquadra-se perfeitamente nessa transação. Havia ali duas concepções diferentes sobre algo que seria sagrado para os homens em nossos tempos. O conceito da propriedade e ausência dele.
₢ Araken Vaz Galvão

13.8.09

Mínima Enciclopedia - Miguel Unamuno

Unamuno, Miguel de (1864-1936):
Escritor, poeta dramático, e filósofo espanhol, um dos expoentes máximos da chamada geração de 98, cuja obra externava uma acentuada preocupação sobre a certeza da imortalidade e reflexões em torno da essência nacional espanhola. Miguel de Unamuno y Jugo nasceu em Bilbao, no País Basco, em 29 de setembro de 1864 e morreu em Salamanca – amargurado e cético – em 31 de dezembro de 1936. O pessimismo e a melancolia de seus últimos anos muito se deveram ao choque havido com Franco, quando Unamuno, desafiando o regime, protestou frente com o general Astray, ao ouvir deste o insensato grito de ¡Viva la muerte!, em Salamanca, onde era reitor, do dia 12 de outubro de 1936, o dia da raça, na Espanha e na América Hispânica.
Autor de vasta obra, Unamuno, que sofreu influência do dinamarquês Kierkegaard – por isso é indicado como pertencente aos “inconformistas isolados” –, também é considerado um precursor do existencialismo, foi autor de importantes obras, com destaque para os romances Névoa e Abel Sánchez, pois foi este gênero que melhor serviu de veículo para que ele expressasse seu pensamento. A Unamuno pertence o famoso tratado filosófico Del Sentimiento Trágico de la Vida en los Hombres y en los Pueblos, lançado em 1913, muito citado e, na maioria das vezes, ignorado autor e o seu verdadeiro conteúdo.
Quando ouviu o gen. Astray gritar: ¡Viva la muerte! – Unamuno disse que não poderia calar-se frente a tanta insensatez, por que: ‘Há momentos que se conservar calado equivale a mentir’. Ou seja, A veces quedarse callado equivale a mentir.
Curiosidade inócua: Em maio deste mesmo ano, 1936, nascia na fazenda Santa Maria, próximo ao povoado da Pulga do Campo, distrito de Aiquara, município de Jequié, Estado da Bahia, o anódino autor dessa Mínima Enciclopédia, cujo sentido trágico da vida é uma evidência desde que nasceu ainda que, na época, não tivesse consciência dessa verdade inconteste.

9.8.09

Mínima Enciclopedia

Fruta-de-Conde ou Pinha?


A Fruta-de-Conde, cujo nome científico é (Anona reticulata L.), é originaria da América Central, é conhecida entre nós com esse nome por ter sido introduzida no Brasil pelo conde de Miranda, Diogo Luís de Oliveira, que a trouxe para a Bahia em 1626. Ele também trouxe na mesma época a pinha, (Anona squamosa L.) a qual recebeu essa denominação devido ao fato de se assemelhar, aos olhos dos portugueses que aqui viviam, com o fruto do pinheiro europeu. Essas frutas vieram da América Central. Há quem confunda a “Fruta-de-Conde”, com a pinha, como ocorre no sul e no sudoeste do país. Para nós, baianos, a fruta-de-conde é aquela que possui a casca ligeiramente lisa – como a fruta-pão – tendo os ressaltos apenas marcados. Já a pinha – entre nós, é claro – possui os ressaltos perfeitamente definidos, parecidos ao da jaca, sem ter, contudo, a forma aguda, mas boleada. Já o araticum (Anona crassiflora), fruta do nosso sertão. Cujo nome vem do tupi, para designa uma fruta nativa do cerrado, também da família das anonáceas, cujos frutos, enormes bagas múltiplas, doces, perfumadas e agradáveis ao paladar, chegam a pesar 2 quilos, e cujas flores são amplas e coriáceas. São chamadas, em algumas regiões do Brasil de araticum-cortiça, marolo. Ainda pretendentes a essa vasta família, temos o Biribá, fruto do Biribazeiro árvore frutífera, da mesma família das anonáceas (Annona lanceolata), originária da América Central e cultivada no Brasil, de folhas lanceoladas e pilosas, flores trímeras e grandes, e cujo fruto, baga múltipla, rica em polpa saborosa e doce, contém numerosas sementes. Já a Ata de Lima – por ser originária do Peru – é também chamada de Jaca de Pobre, que é da mesma família das anonáceas, seu nome científico é: Anonas muricata, foi introduzida por Manuel da Mota da Siqueira, no Pará, em 1750 e é originária da Jamaica.
Muito popular no Peru, sendo considerada quase como um símbolo nacional, a cherimólia, cujo nome de do quíchua, chirimoya, é o fruto de um arbusto da grande família das anonáceas (Annona cherimolia), de flores solitárias aromáticas, amareladas, e cujo fruto é sincarpo globoso, com protuberâncias arredondadas, e polpa branca, doce, saborosa, comestível crua, e que dá excelente licor. Esse tipo de anonáceas começa a ser cultivada entre nós, sendo já encontrada nos bons supermercados.

7.8.09

Mínima Enciclopedia

SOBRE AS PALAVRAS DEGRINGOLAR E GRINGO

Ao contrário do que muitos pensam a palavra degringolar nada tem a ver com o termo gringo, tão usado em relação aos estrangeiros em geral e, em particular, referindo-se aos cidadãos dos Estados Unidos. Essa palavra é um galicismo, isto é vem do francês, dégringoler, que significa “Descer precipitadamente de alto a baixo; rolar, cair”. No sentido figurado significa “Cair em rápida decadência; arruinar-se. Desorganizar-se, desordenar-se, desarranjar-se.” Isso, segundo o Aurélio. Já o Houaiss, que também o assinala como galicismo, diz que os puristas sugerem o uso, em seu lugar, dos termos: cair, rolar, descer, arruinar-se. Diz ainda que a sua matriz francesa, dégringoler, que tem sua datação de 1662, significando “cair rapidamente”, e que é derivada de gringoler, termo do século XVI, vindo do holandês kringeln, que significa “fazer uma curva ou círculo, cair em círculo”. O meu amigo Dom Gregório Paixão, erudito e ser humano da melhor qualidade, e também confrade do CEC, informou-me que kringeln tinha o significado de “tombo, queda, rodopiar”, o que não difere muito da informação extraída dos dicionários citados.
Por outro lado, a palavra gringo – cuja datação é do século XVIII, segundo o Houaiss –, e que tem sua origem relacionada a vários “folclores”, todos baseados na ciência do “achismo”, como, por exemplo, aquele que reza ter a sua origem no termo inglês green go, de uma canção estadunidense, cantada pelos soldados daquele país durante a guerra de anexação de parte do território do México ao seu vizinho, a qual os mexicanos aglutinaram, transformando-o em “gringo”. Daí teria nascido também o sentido pejorativo da palavra. Entretanto a palavra gringo é a corruptela da palavra espanhola griego (grego), que era usada em relação a todo estrangeiro, isto é, em relação a todo aquele que não se expressava bem na língua espanhola, ou seja, indicava – quiçá pejorativamente – uma pessoa vinda de fora e que não se enquadrava dentro dos padrões de comportamento do cidadão espanhol comum. Na América hispânica essa palavra era usada em relação aos vendedores andarilhos ambulantes, os bufarinheiros(*) que percorriam aquelas regiões vendendo suas bufarinhas.
O certo, porém, segundo o Aurélio e o Houaiss, é que o termo degringolar e a palavra gringo não têm nenhum parentesco, uma vez que possuem origens diferentes, além de terem surgidos em épocas diferentes, a primeira é do século XVI, entanto a segunda é do século XVIII.

28.7.09

Mínima Enciclopedia

Mirtilo (Vaccinium myrtillus), planta silvestre da família das mirtáceas, de fruto comestível. Fruta azul escura muito pequena que serve para doces, geléias e licores. O Aurélio registra que “o extrato das folhas é considerado antidiabético” e diz que o nome veio do francês, myrtille. Entretanto, esta fruta é muito popular nos Estados Unidos, de onde creio que é originária, onde tem o nome de Blueberry (espero que o nome esteja escrito corretamente), sendo uma planta rasteira. É cultivado no Brasil em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul e tem a forma arbustiva, com mais ou menos dois metros.

O mirtilo não deve ser confundido com o Cassis (Ribes Nigrum), de origem francesa ou, pelo menos, muito popular naquele país, também usada para se fazer licores, doces e geléias. O licor de Cassis francês é famoso e muito saboroso. No Brasil esta fruta é conhecida por groselha preta.

6.7.09

Mínima Enciclopédia - retomando

Degrigolar (e, por extensão, gringo):
Ao contrário do que alguns pensam a palavra degringolar nada tem a ver com o termo gringo, tão usado em relação aos estrangeiros em geral e, em particular, com os cidadãos dos Estados Unidos. Esta palavra é um galicismo, isto é vem do francês, dégringoler, que significa “Descer precipitadamente de alto a baixo; rolar, cair”. No sentido figurado significa “Cair em rápida decadência; arruinar-se. Desorganizar-se, desordenar-se, desarranjar-se.” Isso segundo o Aurélio. Já o Houaiss, que também o assinala como galicismo, diz que os puristas sugerem o uso, em seu lugar, dos termos: cair, rolar, descer, arruinar-se. Diz ainda que a palavra francesa dégringoler, que tem sua datação de 1662, significando “cair rapidamente”, é derivada de gringoler, termo do século XVI, vindo do holandês kringeln, que significa “fazer uma curva ou círculo, cair em círculo”.
Por outro lado, a palavra gringo – cuja datação é do século XVIII –, tem sua origem relacionada a vários “folclores”, como, por exemplo, os ligados às relações do México com os Estados Unidos (como aquele que sugere como vinda do termo green go, de uma canção estadunidense, cantada pelos soldados daquele país durante a guerra de anexação de parte do território do México ao seu vizinho). Esta palvra vem, na realidade, do espanhol griego (grego), cuja corruptela fez-se gringo e que, na Espanha, era empregada em relação a quem não se expressava bem no idioma espanhol. Ou seja, todo e qualquer estrangeiro, até o bunfarinieros. Essas informações são do Aurélio e do Houaiss. O certo, porém, segundo esses autores, é que o termo degringolar e a palavra gringo não tem nenhum parentesco, uma vez que possuem origens diferentes. Além de que a primeira é do século XVI, enquanto a segunda é do século XVIII. As aparências, pois, enganam, conforme reza o lugar-comum...

©Araken Vaz Galvão (arakenvaz@gmail.com)