Araken Vaz Galvão
Sertanejo, baiano, brasileiro, americano (no melhor sentido).
Revolucionário, hoje pelo exercício radical da cultura, por escrito e assinada.
A cultura floresce a partir de sua raiz, caso contrário é artificial, morta.
6.1.13
O Mensalão e o Legacy
12.11.12
19.9.12
10.6.12
Aviso
Obrigado a todos os que me acompanham, sei que são pouco, mas são fieis.
Araken Vaz Galvão
21.3.12
Mínima Enciclopédia - Lunar
24.1.12
Mínima Enciclopédia - Das Leituras que Fiz...
(Extrato do ensaio “Meu Cânone Pessoal”, escrito em Valença, BA, 11 de dezembro de 2011).
© Araken Vaz Galvão
22.12.11
Mínima Enciclopédia - Amador Bueno da Ribeira (1584-1649)
12.11.11
Mínima Enciclopédia - Gabriel García Márquez
19.9.11
Mínima Enciclopédia - T. S. Eliot (1888-1965):
23.8.11
Mínima Enciclopédia - Carl von Clausewitz (1780-1831)
25.7.11
Miriam não Gostou
9.7.11
Mínima Enciclopédia - Soteropolitano
2.6.11
Mínima Enciclopédia - Émile Durkheim:
4.5.11
Mínima Enciclopédia – Lucky Luciano:
8.3.11
Mínima Enciclopedia - Três Palavras: Ensejo, Epítome e Esboroar
14.2.11
Mínima Enciclopédia - Anus
27.1.11
Mínima Enciclopédia - Braga
20.12.10
Mínima Enciclopédia - Beat
4.12.10
Mínima Enciclopédia - Obsidiana
5.10.10
O tupi nosso de cada dia
13.9.10
Mínima Enciclopédia - McCarthy - Marchartismo
3.8.10
8.7.10
Simonal
Simonal
Vejo agora n’ A Tarde(1) uma matéria sobre o cantor Wilson Simonal e sobre o filme que fizeram sobre sua trajetória de artista talentoso que foi. O artigo parte de algumas informações contidas no livro de Mário Prata “Esquecemos de Anistiar o Simonal”. E, talvez por se pautar em informações tendenciosas ou incompletas, há na matéria algumas imprecisões. Sobre as quais tomo a liberdade de especificar: A principal delas está implícita nos períodos: “A derrocada (de Simonal) começou ao chamar amigos policiais – integrantes do DOPS (Delegacia de Ordem Política e Social) – para dar uma coça no contador, o que aconteceu na delegacia.” É preciso esclarecer que coça é uma palavra muito leve para se caracterizar sevícia ou tortura, que era o que se praticava nos porões do regime militar, em particular no DOPS. Seria também de causar assombro que os amigos de Simonal fossem agentes do DOPS...! Ainda que tal não o configure como dedo-duro. Isso para não falar do censurável fato de chamar – na calada da noite (com perdão do lugar-comum) – os beleguins da ditadura para espancar desafetos... Ainda que isso também não o configure como dedo-duro, só como um homem que – a exemplo de alguns coronéis do sertão, e na Bahia, ou poderosos do de todo o mundo – gostam de agir dessa forma, ou seja, ao arrepio da lei.
E segue o texto com outras imprecisões que dão lugar a interpretações dúbias: “O fato foi descoberto pela imprensa e Simonal se afirmou como homem ligado ao regime militar. Foi um prato cheio para que a mídia esquerdista começasse a espalhar que (ele, Simonal) era um delator, falha grave naqueles duros anos.” Mais além de que “naqueles duros anos” de ditadura não existisse mídia esquerdista. Toda a grande impressa apoiava ou tolerava o golpe, inclusive A Tarde e outros jornais do eixo Rio-São Paulo. Sem esquecer o fato de que ser delator, ou seja, informante como o foi Silvério dos Reis e Calabar – salvo melhor juízo – é uma falha grave em quaisquer tempos, pelo menos o é para as pessoas de caráter. Porém, isso não é só o que há de incongruência no texto. Senão vejamos o que é dito a seguir: “E o público, que sofria na pele a rigidez do golpe militar, trocou as costumeiras palmas pelas vaias (...)”
Agora vamos aos fatos, conforme publicado por todos os grandes jornais do Rio de Janeiro na época (e não na mídia esquerdista, que não existia): Simonal contratou policiais do DOPS para espancar seu contador, que ele julgava que o roubava. O contador – que não devia ser flor que se cheirasse – deu queixa e, ao que parece, acusou Simonal de ser esquerdista, uma vez que era um artista e quase todos os artistas estavam contra o golpe militar, e quem estava contra o golpe era comunista. O caso foi parar na justiça. No julgamento Simonal (ou seu advogado) apresentou como testemunha um policial do DOPS. Este declarou em depoimento, isto é, sob juramento, que Simonal tinha amigos esquerdistas (Leia-se: comunistas), mas não era de esquerda, porque tudo que os artistas falavam ele informava ao DOPS...
Ora, quem falou isso – conforme se pode constatar nos jornais da época, inclusive na revista Veja – foi um seu amigo, policial do DOPS, a quem ele apresentara como testemunha, em juízo, contra o contador que o estaria roubando, e a quem ele mandou dar uma surra.
Frente a isso, os primeiros a execrarem-no foram os artistas de quem ele ouvia e informava ao DOPS, segundo o próprio policial seu amigo. O que me parece uma justa indignação. O público mais politizado realmente o vaiou, porém ele já estava “queimado” – como se dizia na época – e a sua decadência foi uma conseqüência natural, até mesmo porque os produtores culturais deram-lhe as costas.
Se ele era ou não delator, dedo-duro ou informante, não sei. Os arquivos do DOPS podem confirmar ou desmentir este fato. Que ele era um artista de talento, não há nem nunca houve dúvida. Porém, só pelo seu comprovado talento não pode ser apagado o que fez de errado. E pelo menos uma coisa fez: Mandou surrar um desafeto, ignorando a lei. Apresentou como seu amigo e testemunha um policial ligado ao pior aparelho de tortura da ditadura, o qual o “delatou” como informante.
No mais, quase tudo que está escrito no artigo d’A Tarde é verdadeiro. Quase...
O que aqui afirmo, ainda que não tenha a mão os jornais da época, está em minha memória. Por isso repito: Um sujeito que contrata uns bandidos para aplicar uma surra a um seu desafeto... Perdão. Um cantor famoso contrata um policial da Polícia Política para aplicar um corretivo em um seu desafeto... E esse, o policial, vai depor em juízo – leia-se, sob juramento – e diz que o acusado, no caso Simonal, é informante desta mesma polícia, por isso ele, Simonal, cai em desgraça e a culpa é da “esquerda”, tenha paciência!!! A culpa de ele ter caindo em desgraça foi de ter dito amigos como o policial que o denunciou em juízo. Aliás, Simonal não precisaria ter inimigos na “esquerda” para ser destruído, destruiu-o sua falta de caráter, de dignidade. Admito que ele, apesar do incomensurável talento, podia não passar de um simplório, um ingênuo ou mesmo mais um desses brasileiros que, com dinheiro, acham que estão acima da lei e do direito mais comezinho(2) e, por isso, manda aplicar corretivo em quem lhe é persona no grata.
Mais tarde, quando todos lhe viraram as costas – e isso está na revista Veja(3) –“Simonal brandia documentos do Serviço Nacional de Informação que provariam sua inocência”. Seria o mesmo que um carcereiro, do mais baixo nível hierárquico, de campo de concentração de Auschwitz, por exemplo, mostrasse aos tribunais de Israel, documentos assinados por Himmler que provariam sua inocência. Infeliz do sujeito que tem que brandir documentos comprovando que é honesto, ainda mais oriundos de onde ou de quem...
Mas como sei que A Tarde jamais publicaria meu texto – tampouco estou interessado que o faça – publico aqui mesmo, em ValençaAgora, para que uma notícia tendenciosa não fique sem resposta. Ainda que esta resposta se restrinja ao povo da nossa região.
A. Vaz Galvão
Valença, Ba, 19 de outubro de 2008
(1) Caderno 2, domingo, 19/10/2008, págs. 1 e 3. Salvador, Bahia. Os textos são assinados por Lucas Cunha.
(2) Agora, 8/7/10, ao reler essa crônica com vistas a publicá-la em meu blog, a mídia estava fervendo com o monstruoso crime da prostituta – vulgo garota de programa – relacionada com o goleiro do Flamengo, então fiquei matutando quantos anos seria necessário passar para que algum jornal – e algum jornalista babaca – viesse a público indagar algo similar ao que pedem para Simonal, ou seja, quando irão indultar Bruno, caso seja ele verdadeiramente o mandante daquele horroroso crime.
(3) “Veja”, 5/7/200, pág. 123, sem indicação do autor.
15.5.10
Mínima Enciclopedia - Firmenich
Nome de um dos mais conhecidos chefes da guerrilha urbana, de origem peronista, que dominou na Argentina na década de 70, conhecida como Montoneros, cuja organização tinha justiçado algumas pessoas ligadas ao aparelho repressor – e tinha também praticado seqüestros que resultaram em resgates milionários, entre elas as ações espetaculares e ousadas, seqüestraram um dos donos de uma multinacional ligada à agricultura aos alimentos e aos fertilizantes, ação que teria sido cobrado 60 milhões de dólares. Os montoneros seqüestraram e fuzilaram o ditador Aramburu, um dos carrascos de Perón. Essa organização que em sua origem era de extrema direita e, ademais, anti-semita, com laivos de fascismo, tinha o nome de Taquara. Mas tarde, durante os chamados “Anos de Chumbo”, fez uma curiosa mistura entre marxismo e peronismo de cunho popular-revolucionário, naturalmente que partidário da luta armada, mais ou menos ligado a teoria do foco. Com fama e muito dinheiro, Fermenich começou a percorrer outros países para divulgar seu movimento. Apareceu, inclusive, na Nicarágua, no auge dos sandinistas no poder, ocasião em que se apresentou no palanque uniformizado com farda camuflada de comandante. Firmenich, entretanto, depois da volta da democracia, ao ter se apresentado à justiça, negou em juízo ter participado do fuzilamento dos seus prisioneiros. Mesmo tendo se apresentado em vários países de esquerda como comandante – cargo militar, por excelência – que possui como princípio aquela que reza ser o comandante o principal responsável pelos atos dos seus comandados...
Sem embargo, seu principal algoz, o general Videla, em situação similar, assumiu toda a responsabilidade no banco dos réus, demonstrando muito mais dignidade, embora tenha sido um notório responsável por torturas e jamais tenha se arvorado ser defensor da liberdade...
Que ironia!
PS.: Para variar, houve um erro , dos muitos que cometo seja por digitação ou por analfabenismo mesmo (um idiota já tinha me gozado por outro desses meus contantes erros; mas não quero falar de idiotas), o nome do general assassino e torturador era Videla e não Vilela, como ficou por muito tempo. A correção é feita por idicação de fiel leitor e orientador. Aliás, foi essa pessoa que deu a ideia da Mínima. Foi feita a correção no texto.
Araken Vaz Galvão
14.4.10
Mínima Enciclopédia - Escola de Frankfurt:
O grupo de intelectuais dessa Escola, composto de filósofos, sociólogos, psicólogos e economistas, em sua maioria marxistas e com influências da psicanálise e de forte cunho anti-capitalista, teve como aglutinador Max Horkheimer, diretor do Instituto de Pesquisas Sociais de Frankfurt, que acreditava que “o progresso econômico tinha como contrapartida a massificação e a perda da individualidade. Horkheimer propunha a transformação da sociedade capitalista num socialismo fundado na razão e na liberdade, que assegurasse o bem-estar de todos os cidadãos”. Com a ascensão do nazismo os principais expoentes dessa Escola viram-se obrigados a buscar refúgio nos Estados Unidos. Foi quando o pensamento desses brilhantes intelectuais conheceu uma fase bastante pessimista.
Com o fim do nazismo – e da II Grande Guerra – Horkheimer retornou a sua pátria. Mas o pós-guerra, além de lhe mostrar que o fascismo não foi derrotado por uma revolução, havia ainda a agravante do fenômeno stalinista e toda uma controvérsia entre as diferentes correntes marxistas. E – mais grave – o progresso econômico patrocinado pelo capitalismo, que tinha como contrapartida a massificação e a perda da individualidade do homem médio, quanto mais incentivava um consumismo desenfreado, mais “demonstrava uma notável capacidade para assumir suas próprias contradições, mas também, graças a sua ‘indústria cultural’, para anular todo o pensamento crítico e todo movimento de transformação do regime.”
Nessa fase, chamada de terceira, surge o nome de Theodor W. Adorno, cujas bases do pensamento estão expostas no livro Dialética Negativa, de 1966. Contrapondo-se a esse pensador, surge o polêmico Herbert Marcuse, talvez o nome mais conhecido dessa Escola (O nome, repito, mas não necessariamente o conteúdo da obra...). Além desses nomes, cabe citar ainda Jürgen Habermas. Sobre essa Escola é bom ver Althuser e Marta Hanecker, seus grandes entusiastas e divulgadores nos anos 70.
18.3.10
Mínima Enciclopédia - Grukha:
25.2.10
Mínima Enciclopédia - Beguin, Manachem
Por essas e outras é que, ao ouvirmos falar de democracia e democratas, termos a coragem de perguntar: Qual democracia e qual democrata, Cara-Pálida? Qual terrorismo, Cara-Pálida?
19.1.10
Mínima Enciclopedia - Irgun Tsvai Leumi:
Hagannah: Nome da organização paramilitar (hoje seria chamada de terroristas) de Israel, que veio a dar origem ao exército deste país.
Gush Emotin: Grupo criado em Israel depois da guerra de 1973 que se punha ferozmente à devolução dos territórios ocupados.
Por essas e outras é que, ao ouvirmos falar de terrorismo, termos que ter a coragem de perguntar: Qual terrorismo, Cara-Pálida?
18.12.09
Mínima Enciclopedia - Sobre o nome Monção:
Este é o significado original em árabe antigo. Em português (de Portugal e de países lusófonos) ganhou os seguintes significados:
Como substantivo feminino, a “Época ou vento favorável à navegação.”
Pode ser ainda, “Vento periódico, típico do S. e do S.E. da Ásia, que no verão sopra do mar para o continente (monção marítima) e no inverno sopra do continente para o mar (monção continental).” No sentido figurado, o mesmo que “Boa oportunidade; ensejo.”
No Brasil ganhou o sentido de “Qualquer das expedições que desciam e subiam rios das capitanias de SP e MT, nos sécs. XVIII e XIX, pondo-as em comunicação.”
Os dados acima foram extraídos do Aurélio Eletrônico 2000
Já a Enciclopédia Britânica registra monção como sendo o “Nome dado ao sistema de ventos que reverte sua direção de acordo com as estações do ano. Resulta da diferença de aquecimento entre o continente e o oceano. “Desde o mar Arábico, ou de Omã, até o Extremo Oriente, as alterações climáticas são dominadas pela monção, regime de ventos periódicos que, no verão, se caracteriza por chuvas abundantes e benéficas para a agricultura.” Monção é, pois, o nome dado ao sistema de ventos que reverte sua direção de acordo com as estações do ano. Os casos mais típicos de monções ocorrem no sul da Ásia e na África. Quando sopra no inverno ventos, chama-se monção continental. No verão, trata-se da monção oceânica. “A monção decorre da diferença de aquecimento entre o continente e o oceano. Nas estações frias, se estabelece na Sibéria uma área de baixas pressões onde se originam ventos frios e secos que sopram do nordeste, entre outubro e maio, em direção ao oceano Índico. Nas estações quentes do hemisfério norte, entre maio e outubro, a área de baixas pressões se situa no Índico, de onde partem, de sudoeste e sudeste, ventos quentes, carregados de umidade, em direção ao continente.” E diz mais: “O estouro da monção ocorre após longo período sem chuvas, em plena primavera boreal (abril e maio), quando os ventos mudam violentamente de direção e passa a chover prolongada e abundantemente. Também há tendências desse tipo no mar do Caribe e na Europa central, entre outras regiões.”
Nessa época de mudanças climáticas, quando ouvimos falar de inundações em vários continentes, talvez seja bom se saber algo sobre Monções.
30.11.09
Mínima Enciclopedia - Hasan ibn-al-Sabbah:
15.11.09
Mínima Enciclopedia - Tutsis e Hutus:
A segunda, os Hutus, são também uma etnia centro-africana, mais concentrada em Ruanda, que praticou, em 1994, o terrível massacre contra a etnia rival, os Tutsis, com quem dividia o país (criado artificialmente pelo colonialismo, diga-se de passagem). A impressa ocidental falou em 800 mil mortos, porém a imprensa ocidental não merece muito crédito nesses dados, porque costuma exagerar de acordo com seus esquemas e interesses. Mas que o massacre existiu, não há dúvida.
Hoje, no Brasil, onde existe um acentuado esforço não para acabar com o nosso hipócrita e disfarçado racismo, mas para acentuá-lo e torná-lo ressentido e violento, como ocorre em muitos outros países europeus e, inclusive, em muitos países africanos, o verbete, hoje apresentado na nossa Mínima Enciclopédia, é uma exemplo triste, e, por isso, deve ser motivo de preocupação de todos os brasileiros honestos – independente de cor, credo ou condição social.
É preciso que, ao ouvirmos falar de racismo, sem deixar o nosso coração encher-se de falsas ironias, devemos perguntar: Qual racismo, Cara-Pálida?
24.10.09
Mínima Enciclopedia - Little Big Horn:
Há um belíssimo filme de Artur Penn, “O Pequeno Grande Homem” (Little Big Man), de 1970, em que é tratado tema de forma admirável, enfocando a questão daquela batalha do ponto de vista dos índios.
E já que me refiro ao tema índios tratado no cinema, mui raramente, de forma honesta, da década de 70, mais precisamente em função da guerra contra o Vietnã – quando os pés de barro do ídolo foram mostrados – alguns filmes sobre esse assunto foram realizados, entre eles destaco o filme de Raph Nelson, “Quando é preciso ser Homem” (Soldier blue), também de 1970.
10.10.09
Mínima Enciclopedia - roman à clef
Na fonte que encontrei na internet há como um dos exemplos clássicos, a obra de Coelho Neto, “A Conquista”, “onde ele mostra a vida boêmia e literária do Rio de Janeiro durante a Campanha da Abolição. Alguns personagens históricos aparecem sob seu próprio nome, como José do Patrocínio. Outros, sob nomes mal disfarçados: “Otávio Bivar” é Olavo Bilac, “Paulo Neiva” é Paula Nei, e assim por diante. Outros, como “Anselmo Ribas” e “Ruy Vaz”, são pseudônimos que o próprio Coelho Neto usou na vida literária, e parecem corresponder a diferentes facetas do próprio autor.” Cita também que outro exemplo clássico estaria no obra: “Lucrezia Floriani, em que a escritora George Sand liberou as mágoas contra o ex-amado, o pianista polonês Frédéric Chopin. Sand rebatizou o compositor de Karol de Roswald, mas a sociedade européia do século XIX entendeu o recado”.
É citada ainda como uma obra que seria um roman à clef a “Valsa Negra (Companhia das Letras; 244 páginas; 32 reais)”, da escritora Patrícia Melo, cuja trama se relaciona com uma dúvida que incomoda aos afeiçoados da música erudita no Brasil.
Diz ainda o autor dessas informações que “Patrícia Melo teve a idéia de uma história de ciúme protagonizada por um maestro anos atrás. Começou a pesquisar o mundo da música clássica no Rio de Janeiro, mas então foi apresentada ao regente John Neschling, diretor artístico da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, que lhe franqueou os bastidores da instituição. Ela e Neschling começaram um namoro no fim do ano(?) passado, e estão juntos desde então. Embora o maestro e a orquestra de Valsa Negra sejam desprovidos de nome, suspeita-se que muitas histórias reunidas pela escritora nas coxias da orquestra paulista tenham ido parar nas páginas de seu livro. As coincidências, é bom que se enfatize, estariam nos detalhes, e não no enredo central, que envolve inclusive um assassinato.” Mais além de que a vida particular da escritora não seja relevante para este verbete, cito porque sempre se deve citar as fontes. Uma vez que a coisa mais abominável que pode existir é pirataria, plágio ou “chupada” (de idéias alheias), é claro.
Já em outra fonte, da mesma internet, encontrei outro autor que diz mais ou menos a mesma coisa, acrescentando que o autor do “romance com chave”, recorre a esse expediente, o da “chave”, por diferentes motivos. “Às vezes o cara quer descrever o espírito de uma época, os tipos humanos que a caracterizaram, e quer utilizar episódios reais; mas ao mesmo tempo quer ter liberdade suficiente para dar uma ajeitadinha nos fatos, fazer com que ocorram de uma maneira mais interessante do que realmente ocorreram; em suma, copidescar a História. Aí, em vez de um relato autobiográfico, faz um romance-com-chave onde personagens e fatos são alternadamente reais e inventados.”
24.9.09
Mínima Enciclopedia - Burca
17.9.09
Mínima Enciclopedia - Henri Christophe
A história de Henri Christophe serviu de base para o excelente romance de Alejo Carpentier, El Reino de este Mundo (O Reino Deste Mundo), talvez o único livro latino-americano completamente identificado à escola literária de origem grega conhecida como “Real Maravilhoso”.
Com este verbete termino a séria sobre o Haiti.
₢ Araken Vaz Galvão
11.9.09
Mínima Enciclopedia - Jean-Jacques Dessalines:
3.9.09
Mínima Enciclopedia - François Toussaint-L’Ouverture:
Falamos sobre o Haiti no verbete anterior. Damos, assim, continuidade ao tema, não só por existir tropas brasileiras nas Forças de Paz da ONU, como também com o objetivo de fazer conhecer um pouco da História daquele sofrido país. Continuaremos nas duas próximas semanas.
28.8.09
Mínima Enciclopedia - Haiti
21.8.09
Mínima Enciclopedia - Algonquins
Este verbete deveria chamar-se: Diversidade cultural. Afinal, esse conceito tão propagando em nossos dias – mas tão pouco compreendido e praticado – enquadra-se perfeitamente nessa transação. Havia ali duas concepções diferentes sobre algo que seria sagrado para os homens em nossos tempos. O conceito da propriedade e ausência dele.
₢ Araken Vaz Galvão
13.8.09
Mínima Enciclopedia - Miguel Unamuno
Escritor, poeta dramático, e filósofo espanhol, um dos expoentes máximos da chamada geração de 98, cuja obra externava uma acentuada preocupação sobre a certeza da imortalidade e reflexões em torno da essência nacional espanhola. Miguel de Unamuno y Jugo nasceu em Bilbao, no País Basco, em 29 de setembro de 1864 e morreu em Salamanca – amargurado e cético – em 31 de dezembro de 1936. O pessimismo e a melancolia de seus últimos anos muito se deveram ao choque havido com Franco, quando Unamuno, desafiando o regime, protestou frente com o general Astray, ao ouvir deste o insensato grito de ¡Viva la muerte!, em Salamanca, onde era reitor, do dia 12 de outubro de 1936, o dia da raça, na Espanha e na América Hispânica.
Autor de vasta obra, Unamuno, que sofreu influência do dinamarquês Kierkegaard – por isso é indicado como pertencente aos “inconformistas isolados” –, também é considerado um precursor do existencialismo, foi autor de importantes obras, com destaque para os romances Névoa e Abel Sánchez, pois foi este gênero que melhor serviu de veículo para que ele expressasse seu pensamento. A Unamuno pertence o famoso tratado filosófico Del Sentimiento Trágico de la Vida en los Hombres y en los Pueblos, lançado em 1913, muito citado e, na maioria das vezes, ignorado autor e o seu verdadeiro conteúdo.
Quando ouviu o gen. Astray gritar: ¡Viva la muerte! – Unamuno disse que não poderia calar-se frente a tanta insensatez, por que: ‘Há momentos que se conservar calado equivale a mentir’. Ou seja, A veces quedarse callado equivale a mentir.
Curiosidade inócua: Em maio deste mesmo ano, 1936, nascia na fazenda Santa Maria, próximo ao povoado da Pulga do Campo, distrito de Aiquara, município de Jequié, Estado da Bahia, o anódino autor dessa Mínima Enciclopédia, cujo sentido trágico da vida é uma evidência desde que nasceu ainda que, na época, não tivesse consciência dessa verdade inconteste.
9.8.09
Mínima Enciclopedia
A Fruta-de-Conde, cujo nome científico é (Anona reticulata L.), é originaria da América Central, é conhecida entre nós com esse nome por ter sido introduzida no Brasil pelo conde de Miranda, Diogo Luís de Oliveira, que a trouxe para a Bahia em 1626. Ele também trouxe na mesma época a pinha, (Anona squamosa L.) a qual recebeu essa denominação devido ao fato de se assemelhar, aos olhos dos portugueses que aqui viviam, com o fruto do pinheiro europeu. Essas frutas vieram da América Central. Há quem confunda a “Fruta-de-Conde”, com a pinha, como ocorre no sul e no sudoeste do país. Para nós, baianos, a fruta-de-conde é aquela que possui a casca ligeiramente lisa – como a fruta-pão – tendo os ressaltos apenas marcados. Já a pinha – entre nós, é claro – possui os ressaltos perfeitamente definidos, parecidos ao da jaca, sem ter, contudo, a forma aguda, mas boleada. Já o araticum (Anona crassiflora), fruta do nosso sertão. Cujo nome vem do tupi, para designa uma fruta nativa do cerrado, também da família das anonáceas, cujos frutos, enormes bagas múltiplas, doces, perfumadas e agradáveis ao paladar, chegam a pesar 2 quilos, e cujas flores são amplas e coriáceas. São chamadas, em algumas regiões do Brasil de araticum-cortiça, marolo. Ainda pretendentes a essa vasta família, temos o Biribá, fruto do Biribazeiro árvore frutífera, da mesma família das anonáceas (Annona lanceolata), originária da América Central e cultivada no Brasil, de folhas lanceoladas e pilosas, flores trímeras e grandes, e cujo fruto, baga múltipla, rica em polpa saborosa e doce, contém numerosas sementes. Já a Ata de Lima – por ser originária do Peru – é também chamada de Jaca de Pobre, que é da mesma família das anonáceas, seu nome científico é: Anonas muricata, foi introduzida por Manuel da Mota da Siqueira, no Pará, em 1750 e é originária da Jamaica.
Muito popular no Peru, sendo considerada quase como um símbolo nacional, a cherimólia, cujo nome de do quíchua, chirimoya, é o fruto de um arbusto da grande família das anonáceas (Annona cherimolia), de flores solitárias aromáticas, amareladas, e cujo fruto é sincarpo globoso, com protuberâncias arredondadas, e polpa branca, doce, saborosa, comestível crua, e que dá excelente licor. Esse tipo de anonáceas começa a ser cultivada entre nós, sendo já encontrada nos bons supermercados.
7.8.09
Mínima Enciclopedia
Ao contrário do que muitos pensam a palavra degringolar nada tem a ver com o termo gringo, tão usado em relação aos estrangeiros em geral e, em particular, referindo-se aos cidadãos dos Estados Unidos. Essa palavra é um galicismo, isto é vem do francês, dégringoler, que significa “Descer precipitadamente de alto a baixo; rolar, cair”. No sentido figurado significa “Cair em rápida decadência; arruinar-se. Desorganizar-se, desordenar-se, desarranjar-se.” Isso, segundo o Aurélio. Já o Houaiss, que também o assinala como galicismo, diz que os puristas sugerem o uso, em seu lugar, dos termos: cair, rolar, descer, arruinar-se. Diz ainda que a sua matriz francesa, dégringoler, que tem sua datação de 1662, significando “cair rapidamente”, e que é derivada de gringoler, termo do século XVI, vindo do holandês kringeln, que significa “fazer uma curva ou círculo, cair em círculo”. O meu amigo Dom Gregório Paixão, erudito e ser humano da melhor qualidade, e também confrade do CEC, informou-me que kringeln tinha o significado de “tombo, queda, rodopiar”, o que não difere muito da informação extraída dos dicionários citados.
Por outro lado, a palavra gringo – cuja datação é do século XVIII, segundo o Houaiss –, e que tem sua origem relacionada a vários “folclores”, todos baseados na ciência do “achismo”, como, por exemplo, aquele que reza ter a sua origem no termo inglês green go, de uma canção estadunidense, cantada pelos soldados daquele país durante a guerra de anexação de parte do território do México ao seu vizinho, a qual os mexicanos aglutinaram, transformando-o em “gringo”. Daí teria nascido também o sentido pejorativo da palavra. Entretanto a palavra gringo é a corruptela da palavra espanhola griego (grego), que era usada em relação a todo estrangeiro, isto é, em relação a todo aquele que não se expressava bem na língua espanhola, ou seja, indicava – quiçá pejorativamente – uma pessoa vinda de fora e que não se enquadrava dentro dos padrões de comportamento do cidadão espanhol comum. Na América hispânica essa palavra era usada em relação aos vendedores andarilhos ambulantes, os bufarinheiros(*) que percorriam aquelas regiões vendendo suas bufarinhas.
O certo, porém, segundo o Aurélio e o Houaiss, é que o termo degringolar e a palavra gringo não têm nenhum parentesco, uma vez que possuem origens diferentes, além de terem surgidos em épocas diferentes, a primeira é do século XVI, entanto a segunda é do século XVIII.
28.7.09
Mínima Enciclopedia
Mirtilo (Vaccinium myrtillus), planta silvestre da família das mirtáceas, de fruto comestível. Fruta azul escura muito pequena que serve para doces, geléias e licores. O Aurélio registra que “o extrato das folhas é considerado antidiabético” e diz que o nome veio do francês, myrtille. Entretanto, esta fruta é muito popular nos Estados Unidos, de onde creio que é originária, onde tem o nome de Blueberry (espero que o nome esteja escrito corretamente), sendo uma planta rasteira. É cultivado no Brasil
O mirtilo não deve ser confundido com o Cassis (Ribes Nigrum), de origem francesa ou, pelo menos, muito popular naquele país, também usada para se fazer licores, doces e geléias. O licor de Cassis francês é famoso e muito saboroso. No Brasil esta fruta é conhecida por groselha preta.
6.7.09
Mínima Enciclopédia - retomando
Ao contrário do que alguns pensam a palavra degringolar nada tem a ver com o termo gringo, tão usado em relação aos estrangeiros em geral e, em particular, com os cidadãos dos Estados Unidos. Esta palavra é um galicismo, isto é vem do francês, dégringoler, que significa “Descer precipitadamente de alto a baixo; rolar, cair”. No sentido figurado significa “Cair em rápida decadência; arruinar-se. Desorganizar-se, desordenar-se, desarranjar-se.” Isso segundo o Aurélio. Já o Houaiss, que também o assinala como galicismo, diz que os puristas sugerem o uso, em seu lugar, dos termos: cair, rolar, descer, arruinar-se. Diz ainda que a palavra francesa dégringoler, que tem sua datação de 1662, significando “cair rapidamente”, é derivada de gringoler, termo do século XVI, vindo do holandês kringeln, que significa “fazer uma curva ou círculo, cair em círculo”.
Por outro lado, a palavra gringo – cuja datação é do século XVIII –, tem sua origem relacionada a vários “folclores”, como, por exemplo, os ligados às relações do México com os Estados Unidos (como aquele que sugere como vinda do termo green go, de uma canção estadunidense, cantada pelos soldados daquele país durante a guerra de anexação de parte do território do México ao seu vizinho). Esta palvra vem, na realidade, do espanhol griego (grego), cuja corruptela fez-se gringo e que, na Espanha, era empregada em relação a quem não se expressava bem no idioma espanhol. Ou seja, todo e qualquer estrangeiro, até o bunfarinieros. Essas informações são do Aurélio e do Houaiss. O certo, porém, segundo esses autores, é que o termo degringolar e a palavra gringo não tem nenhum parentesco, uma vez que possuem origens diferentes. Além de que a primeira é do século XVI, enquanto a segunda é do século XVIII. As aparências, pois, enganam, conforme reza o lugar-comum...
©Araken Vaz Galvão (arakenvaz@gmail.com)